Sem pressa nem pausa

Por Luis Fernando Braga – Existe um ditado que diz “onde há contraste, há conhecimento”, sendo assim, quanto mais prismas formos capazes de perceber, mais sábios seremos.

Conhecer nossa realidade, nos permite tomar atitudes para contemplá-la, se for contemplável ou solucioná-la, se estivermos diante de algum problema. Como exemplo, de nada adianta termos dor de cabeça, pensarmos em tomar uma aspirina e aguardarmos a dor passar. Podemos repetir este pensamento milhões de vezes que o medicamento de nada servirá, até que haja a ação de administrá-lo e ele possa, então, fazer efeito.

Na Odontologia, as coisas funcionam mais ou menos assim, analisamos, descobrimos o problema, discutimos, reclamamos, reclamamos e reclamamos… aguardando assim a mágica da solução! Porém da mesma forma que o caso da aspirina, a identificação é somente parte do problema.

Por décadas, dentistas reclamam em seus grupos fechados 4 frases principais, a saber:
1- O Conselho Regional de Odontologia não me representa;
2- Os convênios odontológicos exploram os dentistas;
3- Não aprendi administração na faculdade e;
4- A classe é desunida e ponto final.

Depois de citar qualquer uma dessas frases (ou todas) dentistas do Brasil inteiro encerram o assunto e partem para discutir o último curso que fizeram ou uma superficialidade qualquer. As redes sociais potencializaram opiniões e discursos, ao mesmo passo que os acovarda no anonimato da tela do celular. Este mantra ecoa desde os decanos da profissão aos calouros das universidades e vejam, desde o primeiro dia de aula!

De que serve a identificação de um ou vários problemas se não há intenção de resolvê-los? Melhor e menos desgastante seria a completa ignorância que traz o sorriso à boca de um explorado. Explorado esse que vê seu algoz, um senhorio digno de respeito e carinho por prover o alimento de cada dia.

Infelizmente, a omissão dos dentistas e a “muito boa vontade” e esperteza dos diretores das grandes autarquias, grandes associações, mancomunados com o comércio e a indústria, garantiram que a odontologia permanecesse neste limbo por décadas, enquanto catávamos migalhas no chão e seguíamos em frente.

Mas, uma pequena flor, resistiu e nasceu entre o asfalto. Da descrença comum nasceu a esperança, identidade e AÇÃO. Através de um único ato, no momento certo, milhares de dentistas sentiram-se unidos e prontos a ingerir a “aspirina” da representação, que contrasta em muito com a inércia vivida. Este sentimento de participação, promete luz aos nossos problemas e a revisitação das 4 frases pétreas do discurso dos dentistas, citadas anteriormente, transformando a solidão de um consultório em um espaço que nos é de direito na sociedade. Continuaremos assim, sem pressa nem pausa, na busca de identidade e um futuro mais justo aos dentistas brasileiros.

Por Dr. Luis Fernando Braga, Presidente Movimento Help Odonto e Profissionais Liberais.

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