ELIAS JABBOUR: Soberania monetária e a nova formação econômico-social da China

Após algumas semanas estudando a construção e evolução do sistema financeiro chinês e o grau de soberania monetária daquele país, posso expor que essa dita soberania é um traço distintivo desta Nova Formação Econômico-Social, o socialismo de mercado.

Em vários momentos lembrei-me de Ignacio Rangel que afirmava sobre o nascimento do capitalismo de Estado no Brasil sob a forma de sistema financeiro nacional. À China pode-se dizer o mesmo: o socialismo de mercado como uma nova Formação Econômico-Social nasce como sistema financeiro de longo prazo, capilarizado em todos os níveis (nacional, provincial e de capitais de grandes províncias).

Sua face estratégica aparece com o advento da crise financeira internacional de 2008/2009. Imensos pacotes fiscais foram lançados para financiar infraestruturas e inaugurar novas e superiores formas de divisão social do trabalho. Recentemente outro pacote fiscal foi lançado prevendo mais US$ 300 bilhões em novos investimentos e cortes de impostos corporativos da ordem de US$ 200 bilhões. Uma loucura na visão de economistas convencionais. Uma “lógica de funcionamento” onde existe um poder político de novo tipo e capital físico sobrante, consequência de mais de uma década de taxas de investimentos acima dos 40% em relação ao PIB.

A regulamentação da shadow banking e a absorção de parte da dívida privada pelo setor público que fechou o ciclo com mais demanda ao setor privado são capítulos a serem melhor acompanhadas e estudadas por mim neste momento. Evidências empíricas começam a me mostrar a existência de ciclos curtos de endividamento entre o ente nacional e as províncias. Caso provado a existência deste outro tipo de ciclo as evidências sobre o sistema financeiro estatal (núcleo do modp de produção socialista, modo de produção este domonante naquela formação social complexa) como um elemento que alimenta e dá pulso a outras regularidades já atestadas darão força ao meu argumento central.

Os mais céticos podem me interrogar borrando diferenças entre o sistema financeiro chinês e o, por exemplo, alemão ou coreano. Posso responder de forma simples: é o sistema financeiro de um país socialista que está mobilizando recursos à completa conexão física do mundo sob o lema da construção de um mundo de destino compartilhado.

Estou apenas no início de uma longa empreitada intelectual.

Por Elias Jabbour

1 Comentário

  • Prezado Elias, muito obrigado por seu artigo e pela disposição de realizar esta pesquisa. É um tema essencial para sairmos, aqui no Brasil, do dogma metalista que acorrenta as capacidades de investimento e endividamento público numa camisa de força quantitavista. Quero me oferecer para dialogar, sem qualquer pretensão de prometer grandes contribuições, com a questão do plano internacional chinês para oferecimento de créditos estatais a países parceiros com o objetivo de realizar lastreamentos em terra estrangeira (ativos de infraestrutura e terras), como mecanismo de hedge contra ataques especulativos em mercados internacionais. Um forte abraço.

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