Alguma coisa sobre “nacional-desenvolvimentismo”

1. Um “programa nacional-desenvolvimentista”, cujos contornos mais gerais Ciro Gomes vem apresentando ao país, é o único, a meu ver, capaz de reunir forças de monta a, no curto prazo, derrotar Bolsonaro, a sua obra, o bolsonarismo, o neoliberalismo e colocar o país no rumo do crescimento econômico autônomo.

2. Um “programa nacional-desenvolvimentista” interessa, em tese, ao pequeno e médio empresário, a amplos setores da classe média, aos assalariados e ao trabalhadores do “mercado informal” – isto é, a setores que, somados, devem atingir algo em torno de 80% da população brasileira.

3. Para mim está claro, não há outra opção: ou é um programa deste perfil, ou é a “ruptura socialista”, que não mobiliza, pelo menos até onde a vista alcança, ninguém fora da nossa “bolha”.

4. Ou é deixar tudo como está…, isto é:

5. O PT com o seu “Lula livre”…

6. O Psol, com o seu sempre simpático papel de ombusdman dos legislativos e guarda-chuva para as lutas identitárias…

7. E a ultraesquerda com sua pregação para convertidos.

8. Muita gente boa de esquerda critica o “programa nacional-desenvolvimentista”, a meu ver pelo lado errado. Dizem que não há uma burguesia nacional para conduzir o processo, como manda o figurino da sociologia acadêmica “uspiana”.

9. Sem burguesia nacional, sem “nacional-desenvolvimentismo”? Esta crítica padece, a meu ver, de “sociologismo”. Senão, vejamos… Por que, diabos, um “programa nacional-desenvolvimentista” necessita, como condição de possibilidade, de uma burguesia nacional?

10. Ora um programa capaz de interessar, em tese, a 80% da população é potencialmente forte o suficiente para desencadear um amplo movimento político, cujas contradições, quando tornadas irreversíveis, podem e devem ser resolvidas à esquerda.

11. Em 1964, as contradições do “programa nacional-desenvolvimentista” foram resolvidas à direita, mas poderiam ter sido resolvidas à esquerda. Não havia nenhuma “lei da história” que vetasse, liminarmente, esta possibilidade.

12. Para derrotarmos Bolsonaro, a sua obra, o bolsonarismo e o neoliberalismo precisamos mobilizar milhões de brasileiros. E esta mobilização só é possível, estou certo, mediante um programa político que atenda aos interesses de amplas camadas sociais, e coloque o país no rumo do crescimento econômico autônomo.

13. Para mim este programa só pode ser, nas atuais condições, me parece óbvio, de caráter “nacional-desenvolvimentista”… Ou o povo abraça um programa de luta, ou não sairemos do buraco em que nos encontramos e que só faz se aprofundar. (A ausência de uma burguesia nacional, como pretendem os “sociologistas”, em nada impede a construção e a viabilização deste programa.)

14. Ou propomos um programa capaz de interessar milhões de pessoas, ou continuaremos vivendo da lacração nas redes sociais e/ou dos slogans dos doutrinários e dos identitários.

15. Ciro conquistou, na prática, de modo inquestionável, me parece, a liderança deste processo. Nildo Ouriques, a meu ver, vem trabalhando, nos limites das possibilidades daqueles que estão engajados na “Revolução brasileira”, para reunir forças para, quando o “nacional-desenvolvimentismo” for atravessado por contradições insolúveis, podermos ter, desta vez, uma resolução à esquerda.

Por Luiz Carlos de Oliveira e Silva

2 Comentários

  • Perfeito!
    E esta é a chance de se construir uma Burguesia Nacional, que iniciará as esperadas contradições insolúveis.

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  • Acho que, se bem sucedido um programa desses, o resultado de longo prazo é exatamente uma espécie de burguesia nacional, de empregadores e empregados, mas próspera de todos os lados.
    Mas essa é só uma divagação minha.

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