NELSON MARCONI: O que é a taxa de câmbio de equilíbrio industrial?

Bresser-Pereira e eu criamos, em 2012, esse conceito para tentar estimar qual seria a taxa de câmbio necessária para possibilitar que a indústria que seja competitiva “da porta para dentro” consiga ser também competitiva “da porta para fora”.

A última estimativa do Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo, relativa ao 2 trim 2020, chega a 5,20. Como a oscilação trimestral é grande, ainda mais em época de pandemia (a produtividade varia muito), costumamos utilizar a média em 12 meses, que em junho chegou a 4,65.

Em nosso critério, consideramos que a igualdade entre as margens de lucro médias é a condição que refletiria a competitividade da manufatura de um país em relação a outro. Como os preços que as empresas se defrontam são similares no mercado internacional, o que vai definir a margem de lucro de cada competidor são seus custos. Um dos custos mais relevantes de produção é o custo unitário do trabalho (salário médio / produtividade).

Assim, calculamos a taxa de câmbio necessária para compensar a diferença entre os custos unitários do trabalho na manufatura brasileira e na manuf. em seus principais concorrentes. Há outros custos relevantes? Certamente, mas o trabalho é o custo comum a todos os produtores, e é o custo mais relevante (em termos agregados) e passível de estimação. Do contrário, não serve.

Daí, escolhemos 2005 como ano base, por ter sido um ano de pequeno superavit em conta corrente; a indústria ia bem e o saldo de manufaturados idem. Calculamos qual é a diferença entre a evolução dos custos unitários do trabalho na manufatura no Brasil e em seus principais parceiros comerciais desde 2005, e atualizamos a taxa de câmbio daquele período até hoje, por essa diferença.

Qualquer outro cálculo que vocês vejam por aí não é a nossa taxa de câmbio de equilíbrio industrial. É outro critério de cálculo. Não pode ser entendido como tal.

Achar que o câmbio deve compensar todo o gap tecnológico do país de uma vez só é uma grande besteira. Primeiro porque é impossível; só conseguimos avançar tecnologicamente aos poucos. Segundo, porque para quem está na fronteira tecnológica, o câmbio não é tão importante. E terceiro, porque certamente existem outros fatores, como a política industrial e de desenvolvimento tecnológico, que também influem nesse processo. Colocar toda a responsabilidade pela mudança tecnológica no câmbio está errado, e iria, aí sim, gerar uma inflação mais acentuada.

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Taxa de Câmbio de Equilíbrio Industrial: https://eaesp.fgv.br/centros/centro-estudos-novo-desenvolvimentismo/projetos/taxa-cambio-equilibrio-industrial

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