UALLACE MOREIRA: A crise do mercado de trabalho no Brasil

A taxa de desocupação alcança 12,9% e a crise aniquilou 7,8 milhões de postos de trabalho no Brasil.

Pior: se somarmos a taxa de desalento (5,2%) com a taxa de desocupação (12,9%), temos uma “taxa de desemprego” de 18,1%.

O mais preocupante: pela primeira vez na série histórica, o nível da ocupação ficou abaixo de 50,0%, apontando que menos da metade da população em idade de trabalhar estava ocupada no trimestre.

A população ocupada apresentou a maior redução (8,3%) na comparação trimestral, quando comparamos variações em relação ao trimestre móvel anterior:

Quando consideramos a queda da taxa de ocupação na semana de referência, em relação ao mesmo trimestre móvel do ano anterior, temos a maior redução da população ocupada ( 7,5%) na comparação anual:

O emprego com carteira assinada também apresentou queda, queda de 7,5% em relação ao trimestre anterior e queda de 6,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior:

A taxa de Empregados sem carteira de trabalho assinada caiu -20,8% no setor privado, variações em relação ao trimestre anterior Brasil – 2012/2020 (em %). É uma queda de 2,4 milhões de trabalhadores na comparação trimestral.

Trabalhadores por conta própria também apresentaram um forte declínio na ocupação, com uma queda de 2,1 milhões de trabalhadores na comparação trimestral, -8,4%.

A massa de rendimento real (R$ 206,6 bilhões) reduziu (5,0%) na comparação trimestral e (2,8%) quando comparado com o ano anterior:

A taxa composta de subutilização aumentou para 27,5%, dado a política de isolamento social. No trimestre de março a maio de 2020 havia 30,4 milhões de pessoas subutilizadas.

Por fim, o desalento também aumentou para 5,2%. Se somarmos a taxa de desalento (5,2%) com a taxa de desocupação (12,9%), temos uma “taxa de desemprego” de 18,1%.

Por Uallace Moreira, mestre e doutor em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da UNICAMP e  professor da Faculdade de Economia da UFBA.

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