UALLACE MOREIRA: PIB do Brasil tem queda recorde e o país entra em recessão

O PIB do Brasil tem queda recorde de 9,7% no 2º trimestre de 2020 e o país entra em recessão.

A situação fica pior quando comparamos com o ano anterior, queda de 11,2%. Vejam a queda nos componentes da demanda agregada, principalmente consumo e investimento.

Quando comparamos com o ano anterior, a queda no 2º trimestre é de -11,4%. Isso é preocupante porque a base de comparação com 2019 já é muito baixa. A taxa de crescimento do 2º trimestre de 2019 foi de apenas 1,1%. Isso só confirma a gravidade da crise econômica do país.

Quando analisamos os indicadores de acordo com os componentes da demanda agregada, em relação ao trimestre anterior de 2020, a queda da formação bruta de capital fixo de -15,4% e do consumo das famílias de -12,5%, apontam para uma situação preocupante.

A forte queda no consumo das famílias de -12,5% tem como um dos elementos a queda da demanda por bens de consumo duráveis. Em um outro artigo, já mostrei como a crise da indústria foi fortemente atingida pela queda da demanda por bens de consumo duráveis.

A queda do consumo das famílias também é resultado do elevado desemprego no país. Se somarmos a taxa de desocupação (13,3%) mais o desalento (5,6%), temos uma taxa de desemprego de 18,9%.

A queda da formação bruta de capital fixo de -15,4% também está associada à crise na indústria, com forte queda no setor de bens de capital, como mostrado no já citado artigo sobre a crise da indústria com os indicadores de junho.

A forte queda do PIB de -11,4%, quando comparado com o 2º trimestre de 2019, tem como principal fator negativo a queda da atividade industrial em -20%, do comércio com -14,1%, e outras atividades de serviços com queda de -23,6%.

O que chama a atenção é que o setor financeiro apresenta taxa de crescimento tanto no 2º trimestre de 2020, comparado com o trimestre anterior de 2020 (0,8%,) como também com o trimestre do ano anterior, crescimento de 3,6%. Por isso, vemos lucros dos bancos, mesmo na crise.

As componentes da demanda agregada do 2º trimestre de 2020, comparado com 2º trimestre de 2019, também mostram a forte queda da formação bruta de capital fixo com -15,2% e do consumo das famílias com queda de -13,5%.

Crise do consumo e crise do investimento no país.

O mais grave de tudo é a forte queda da taxa de investimento como proporção do PIB, que hoje está em apenas 15%, considerado um nível muito baixo e insuficiente para dinamizar a atividade econômica do país. Observem que o investimento teve forte queda desde 2013.

Conclusão: A equipe econômica mantém o discurso de ajuste fiscal e não retomada do investimento público, o que aponta para a continuidade baixo dinamismo da atividade econômica, com lenta recuperação econômica, agravando a situação no mercado de trabalho e social do país.

Por Uallace Moreira, mestre e doutor em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da UNICAMP e  professor da Faculdade de Economia da UFBA.

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