UALLACE MOREIRA: Recuperação Industrial em Maio: breve análise dos indicadores

O índice mensal da produção industrial apresentou um crescimento de 7,0% em maio.

É importante observar que a queda acumulada entre fevereiro e abril é de -28%.
Uma observação relevante: essa recuperação de 7% é comparada com uma base negativa muito alta de abril (-18,8%), de modo que o crescimento de 7% pode ser considerado pouco relevante. Além do mais, não recupera nem a queda de fevereiro, quiça o tombo de abril.

Quando a gente compara com o mesmo mês do ano passado, vemos uma queda de -21,9%. E vejam uma coisa, o ano passado o crescimento econômico do país e da indústria já foram irrelevantes, de tal forma que a base de comparação já é baixa.
Entre setores, observem no gráfico que os que apresentaram crescimento, com base igual ao mês de 2019, são setores com demandas mais inelásticas, como farmacêuticos e alimentos. Setores relacionados a Bens de Capital e Bens de Consumo duráveis, estão com taxas negativas.
Esse próximo gráfico deixa mais em evidência o que chamei a atenção acima. Bens de capital teve crescimento negativo de -39,4%, enquanto bens de consumo duráveis taxa negativa de -69,7%. São setores relacionados ao investimento e a um maior dinamismo do mercado interno.
Quando analisamos a Produção da Indústria acumulada no ano, a queda é de -11,2%, com os setores de Bens de Capital com queda de -21% e Bens de Consumo Duráveis -37,1%.
Esses indicadores do fraco dinamismo da indústria,principalmente de bens de capital e bens de consumo duráveis,convergem para a gravidade da baixa utilização da capacidade instalada, que ficou em 49% em abril. Juntos,eles apontam para o desafio de alavancar o investimento.

Todos esses indicadores apontam para dois problemas graves:

1. O crescimento de maio, quando comparado com uma base de dados já baixa do ano passado, nos dão indícios dos elevados impactos da crise sobre a indústria, assim como acenam para uma recuperação muito lenta.

2. As maiores taxas negativas de crescimento da indústria de bens de capital e de bens de consumo duráveis mostram que uma retomada mais robusta, exige elevado investimento, com a finalidade de dinamizar o mercado interno.

Sem isso, a recuperação será lenta e penosa.

Por Uallace Moreira, mestre e doutor em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da UNICAMP e  professor da Faculdade de Economia da UFBA.

1 Comentário

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