9 governadores e 3 senadores são impedidos de visitar Lula

Instalado nos arredores da sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde está o ex-presidente Lula, o Acampamento Lula Livre se organiza desde sábado (07/04) como forma de mobilização popular a favor da liberdade de Lula. Segundo seus organizadores, ao menos 1500 pessoas passam no local diariamente, das quais 300 ficam fixas no acampamento.

A dinâmica do acampamento conta com banheiros e chuveiros instalados, além das barracas montadas e pontos para doação de suprimentos.

Acampamento Lula Live | Foto: Ana Júlia Ribeiro
Acampamento Lula Live | Foto: Ana Júlia Ribeiro

Cerca de dois quarteirões antes do acesso ao edifício da Polícia Federal, mantém-se 3 agentes policiais, duas viaturas e uma grande fita de isolamento, impedindo o acesso dos veículos (ou ao menos daqueles sem aparente razão para estarem ali). A orientação policial se faz, de pronto, por meio de um enfático alerta: “Melhor não subir de carro, pois você pode não voltar”. Assim, dá-se o primeiro contato de um recém chegado qualquer ao local em que se instala o acampamento.

Todavia, basta ultrapassar o cordão para perceber que o acesso ao edifício é tranquilo por entre as instalações dos acampantes. A concentração do acampamento acontece atrás de uma outra fita, a cerca de 100m do portão da Superintendência, e bem na metade do caminho, instala-se uma corrente policial composta por 6 agentes e duas viaturas.

Embora claro estado de alerta por parte da Polícia, o ambiente é pacífico, contando com pessoas das mais diversas idades que, embora debaixo do Sol ardente, mentem a bravura ao acudir suas bandeiras ao som de “Asa Branca”.  A música, entoada por um senhor e seu violão de nylon, reúne pessoas ao redor de uma espécie de palco, que embora no chão, recebe palavras de luta em forma de repúdio e inconformidade, mas também de poesia.

Acampamento Lula Live | Foto: Ana Júlia Ribeiro
Acampamento Lula Live | Foto: Ana Júlia Ribeiro

Ontem (09/04), a pré-candidata à presidência Manuela d’Ávila (PCdoB-RS), o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e outras lideranças políticas estiveram no local e participaram de um ato em defesa da liberdade de Lula. Na ocasião, Manuela foi vítima de agressões verbais: um homem saiu de dentro do prédio da PF para ofendê-la e voltou ao prédio acompanhado de policiais militares. Segundo a senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o agressor teria sido identificado como agente da polícia civil do Paraná.

Acampamento Lula Livre | Foto: Ana Júlia Ribeiro

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) e o presidente do partido, Carlos Lupi, já declararam que também querem prestar solidariedade e visitar Lula.

Ainda, o acampamento já recebeu a visita do ex-ministro de Relações Internacionais, Celso Amorim, do ex-ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e do ex-presidente da Petrobrás, Sergio Gabrieli.

O coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, também esteve presente e, ao discursar para os manifestantes que lá estão, garantiu que montará acampamentos em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília, e na Candelária, no Rio de Janeiro. Stédile afirmou que o ativista argentino Adolfo Perez Esquivel, ganhador do Nobel da Paz, e o ex-presidente uruguaio José Pepe Mujica já manifestaram interesse em visitar o local.

Hoje (10/04), nove governadores chegaram ao Acampamento Lula Livre: Waldez Góes (PDT-AP), Tião Viana (PT-AC), Renan Filho (MDB-AL), Camilo Santana (PT-CE), Flávio Dino (PCdoB-MA), Ricardo Coutinho (PSB-PB), Wellington Dias (PT-PI), Paulo Câmara (PSB-PE) e Rui Costa (PT-BA). Juntamente dos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Roberto Requião (MDB-PR), tentaram visitar o ex-presidente, mas o pedido foi negado. Diante disso, a comitiva deixou uma carta para ele.

Foto publicada pelo governador Flávio Dino em sua página do Facebook
Foto publicada pelo governador Flávio Dino em sua página do Facebook

Nos primeiros dois dias, Lula recebeu seus advogados Cristiano Zanin Martins, Valeska Zanin Martins e Sigmaringa Seixas, ex-deputado petista.

Texto escrito em coautoria com Ana Júlia Ribeiro.

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