A Arábia Saudita começa a se mexer, a boa vida tem data pra acabar?

Por Daniel Bispo – Até os dias atuais, a Arábia Saudita tem se dado muito bem com os benefícios do petróleo (90% das exportações do país). Sua população vive com relativo conforto material e são supridos em grande parte por benefícios do estado. Para se ter ideia, o IDH Saudita é hoje melhor que o de vários países europeus, como Portugal e Hungria. 38% da PEA Saudita trabalha diretamente para o estado e somente 12% está no setor privado.

Essa é uma troca entre a casa de Saud (monarquia do país) e os súditos do Rei. O Rei repassa diretamente uma parte dos benefícios do petróleo aos cidadãos (como empregos e grandes pacotes de assistência estatal) e a população dá suporte à tirania da casa real.

No entanto, essa novela parece ter data para acabar.

Agora o país precisa achar outro meio de arranjar dinheiro para sustentar os índices do país, já que o preço do petróleo está indo ao chão. Durante a pandemia o petróleo chegou a ser cotado em preço negativo. 40% da população da Arábia Saudita tem menos de 25 anos e muitos entram na faculdade, ou seja, tem uma demografia perfeita para o desenvolvimento. Porém, 80% desses jovens que entram na faculdade escolhem cursos como teologia e filosofia árabe. Uma pequena minoria dos universitários estão em cursos técnicos, como as engenharias. Para se ter ideia, a maioria das empresas privadas na Arábia Saudita preferem contratar estrangeiros a cidadãos do próprio país.

No entanto, desde há somente 2 anos o Príncipe herdeiro parece que procura tentar criar uma contra-tendência à queda dos benefícios trazidos pela exportação de petróleo. A Arábia Saudita então vai começar a fazer vários megas-projetos para atrair turistas e investimentos. O país está em uma grande plano de construção de cima a baixo, com altos investimentos em construção civil. Estão construindo uma cidade tecnológica que será maior que toda a Bélgica e um “Jurassic Park” no meio do deserto. Um excelente estudo de caso está desabrochando.

O país também tem um déficit habitacional relativamente grande. Até 2023, a casa de Saud quer que 70% da população saudita tenha sua própria casa e assim o governo tem construído grandes residenciais em todo o país. Esse projeto está sendo tocado junto com a China. Na primeira fase serão construídas quase 6 milhões de novas casas.

A Arábia Saudita espera também construir várias “Mecas”, uma “Meca Verde”, uma “Meca Tecnológica” e assim por diante. Ao todo estão sendo construídas 5 novas ilhas para abrigarem estas estruturas e nelas serão instaladas 16 grandes hotéis de luxo internacionais.

Boom da construção civil. Ilusão com turismo.

Parece que já vimos esse filme, não? Enquanto a preocupação oficial não for a pesada industrialização do país, parece que a Arábia Saudita estará confinada ao vai vem dos ciclos econômicos externos. Ora, alguns hotéis de luxo podem sustentar uma cidade como Las Vegas, de 700 mil habitantes, mas será que poderá sustentar um país com 34 milhões de pessoas?

Por: Daniel Bispo.

 

Por Daniel Bispo - Até os dias atuais, a Arábia Saudita tem se dado muito bem com os benefícios do petróleo (90% das exportações do país). Sua população vive com relativo conforto material e são supridos em grande parte por benefícios do estado. Para se ter ideia, o IDH Saudita é hoje melhor que o de vários países europeus, como Portugal e Hungria. 38% da PEA Saudita trabalha diretamente para o estado e somente 12% está no setor privado.

1 Comentário

  • Observei um equívoco quanto ao preço do petróleo. Na pandemia não chegou a ficar negativo. Em verdade, um contrato futuro do petróleo tipo wti, tipo de petróleo fornecido pelos EUA, ficou negativo.
    Outro fator interessante que não foi mencionado, os preços do petróleo caíram na pandemia porque os russos não quiseram se reunir com a Opep para reduzir a produção do petróleo, a Arábia em retaliação aumentou a produção fazendo com que os preços caíssem a preços muito baixos, chegou a ser cotado abaixo dos vinte dólares.

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