Por que tamanho destempero do general pela facada de Bolsonaro?

Desproporcional e surpreendente o tamanho do destempero verbal do general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, diante da ironia manifestada por Lula em relação à facada em Bolsonaro. Num lapso psicanalítico de provável receio contra a possibilidade de o ex-presidente voltar a influenciar com mais força a política nacional, Augusto Heleno chegou a defender a prisão perpétua para Lula.

O destempero foi tão tresloucado que o militar já foi colocando Dilma no mesmo saco do episódio, ao falar do câncer dela e de Lula. Surpreendente tanto mais porque – uma deposta há três anos e outro preso há um ano – o velho ditado recomenda que não se deve chutar cachorro morto a considerar as convicções de quem está no governo e de diferentes setores jurídicos sobre os motivos da deposição e da condenação dos ex-presidentes.

Ora, o general deveria saber que muitas pessoas de vários setores também não acreditam na facada de Bolsonaro. Mas, claro, ninguém vai se arvorar a fazer afirmações sem provas. Por que essa reação de quem se deveria esperar temperança ou, no máximo, uma “contraironia” como forma elegante de desqualificação de quem está fora do poder?

Diante da quantidade de “fakenews” veiculadas durante a campanha presidencial, a prudência recomenda tanto o sim como o não. O murro da mesa e o descarrego verbal do general podem revelar acintosa reação à mudança do quadro nacional diante das revelações feitas pelo “The Intercept Brasil”. Não a volta de Lula ao poder – mas, se mesmo preso, continua forte e influenciando, o que dizer solto?

Aproveitando a camisa do Flamengo vestida junto com o ministro-epicentro do escândalo sobre as articulações para a prisão de Lula, o episódio pode servir como convite para que nosso presidente todo despojado com seu jeito povão tire a camisa e mostre a cicatriz.  Desmascare os levianos desconfiados, presidente! Afinal, não seria constrangimento algum para quem posa de chinelos e camiseta junto a outras autoridades como se estivesse no churrasco de sua casa.

E falo não como desafio, mas como simplificação do clima e suas intempéries, perante a opinião pública, a fim de que não pairem nuvens de dúvidas e especulações tempestuosas. Evidentemente que este humilde escriba sem partido e sem remuneração para escrever essas linhas não poderia almejar cobrança por este tipo de assessoria, espécie de consultoria em marketing institucional ou media training, incluindo aí um gabinete de administração de crises.

Fato é que o episódio da facada foi notícia relevantíssima durante a campanha eleitoral, aliás, um flagrante nítido de perto e muito bem filmado: forrobodó total, corre-corre, prisão do esfaqueador, hospital, dias de procedimentos, entrevistas com médicos, cirurgia, convalescença, tudo acompanhado pelos meios de comunicação. Se for mentira, que grande teatro muito bem armado! Alto nível – só comparável aos complôs que mataram os Kennedy nos Estados Unidos. Se foi verdade, porque tanto destempero, general?

 

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