MARINGONI: A blitzkrieg fascista chega à Casa de Rui Barbosa

Num país com desigualdades abissais, encontrar um inimigo a ser combatido não é difícil. Um imigrante haitiano, um médico cubano – terrorista! – um professor universitário, um quilombola, um indígena que luta por suas terras, um trabalhador em movimento, um pesquisador, um homossexual, um negro que levante a cabeça, enfim, todos e todas que saiam da passividade e da mediocridade são os judeus da hora e os comunistas a serem eliminados. Basta gritar “pega!” no meio da rua. São os desviantes que colocam nossa tradição, nossa família e nossa propriedade em perigo, mesmo que nenhum desses fatores valha cinco réis de mel coado diante da História.

Qual a novidade? Foi assim em alguns países europeus dos anos 1930, é assim em todas as ditaduras. A luta pela mediocridade tem apelo amplo, maciço e sedutor. E se torna mais eficiente quando a pobreza, a miséria e o ressentimento latente nos guiam. Quero um culpado pela merda em que estou metido. Já! Deus fez a todos e todas iguais, mas alguém pelo caminho me fodeu, a mim e aos meus. Pega!

A miséria, nessa lógica, não é algo a ser combatido. É o fertilizante da pregação fascio-fundamentalista. Os alvos têm de ser claros, visíveis e sensíveis ao radar do senso comum.

Anteontem os alvos foram os sindicatos. Ontem, a comunidade LGBT. Hoje é a vez da Casa de Rui Barbosa. A Casa pode ser pequena diante da vastidão do Brasil, mas é um oásis de excelência que nos ajuda a entender o presente e o futuro. É uma instituição ímpar para a investigação dos primórdios de nossa República incompleta e abastardada por privilégios de toda ordem.

MARINGONI: A blitzkrieg fascista chega à Casa de Rui Barbosa

Realizei parte de minha investigação de doutorado consultando os arquivos da Casa e participei de dois seminários lá. Sou eternamente grato aos pesquisadores apaixonados pelo que fazem que conheci lá.

A Casa está sob ataque da artilharia da estupidez. Tropas com os galardões da boçalidade tomaram seus postos de comando. Mercadores da fé colocam suas garras para fora no bairro de Botafogo.

Minha total solidariedade. A cruzada antiinteligência não durará. A luta pela Casa de Rui Barbosa faz parte da luta por um Brasil iluminado.

Por Gilberto Maringoni

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