Bolsonaro e o Renda Brasil

Bolsonaro e sua equipe estão organizando uma segunda evolução dos programas sociais de distribuição de renda. O Bolsa Família, que já foi o Bolsa Escola, agora vai evoluir para o “Renda Brasil”. No passado Jair Bolsonaro chamou os programas sociais de “esmola” e de “voto de cabresto”, e hoje ele quer para si esses programas, cuja paternidade é reivindicada pelos tucanos.

Havia um receio desde as eleições de 2014 que, com uma vitória de um candidato mais à direita, os programas sociais iriam deixar de existir. Nas eleições de 2018 com Bolsonaro o temor foi maior. Essa ideia de que Bolsonaro iria acabar sumariamente ou matar o programa aos poucos foi uma leitura errada que os segmentos progressistas fizeram da conjuntura. Bolsonaro precisa de um programa de distribuição de renda para seu projeto nacional populista, e de Paulo Guedes, para cumprir sua função de emissário do rentismo.

No caso específico de Bolsonaro a manutenção de um programa de distribuição de renda se torna necessário para implementar sua politica de polarização com o PT e para se consolidar de vez com um líder de massas. Com o “Renda Brasil” Bolsonaro pode criar uma narrativa que ele nunca foi contra os programas sociais e que a oposição de esquerda e a grande mídia colocou isso nas costas dele para derrotá-lo. O Ministério da Verdade bolsonarista vai encontrar uma maneira de criar a narrativa que Bolsonaro nunca foi contra programa sociais, se foram bem utilizados.

Paulo Guedes precisa do Renda Brasil para manter a pseudo preocupação governamental com as classes menos favorecidas. Assim esconde que poucos concentram muita renda e muitos vivem em estado de necessidade permanentemente, além de travar por mais um período o debate nacionalista econômico com garantias de pleno emprego e um salário mínimo com reposição anual justa.

O Bolsa Família, quando implementado em larga escala, durante o governo petista, representou uma melhoria de vida para muitas pessoas, mas não resolveu os graves problemas de distribuição de renda no Brasil, servindo mais efetivamente aos interesses do mercado.

Não é questão de posicionamento contra programas sociais, até porque ainda se fazem muito necessários, mas urge uma evolução para um debate sério, no âmbito nacional, com todas as forças políticas, sobre desenvolvimento sustentável da indústria brasileira, garantia de oportunidades de trabalho, sem explorar o trabalhador e garantindo rendimentos justos. Esse debate, que foi ceifado com o golpe cívico-militar de 1964 e precisa retornar a pauta com a maior brevidade. Ficamos por enquanto com um debate de quem fez mais pelos pobres: o Bolsa Família com o PT, ou o Renda Mínima do Bolsonaro. É tudo que o Brasil não precisa!

Por Ivonei Lorenzi

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