Bolsonaro, Hitler e o Coronavírus

Em meio a pandemia causada pelo COVID-19, o presidente Jair Bolsonaro, neste domingo, 29, contrariando todas as recomendações do Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter a disseminação do vírus, fez um périplo por vários locais da capital federal, como postos de combustível, hospital das Forças Armadas, mercados, farmácias, padarias, enquanto espíritos nutridos de fé se aglomeravam ao seu redor, para vê-lo, tocá-lo, tirando fotos.

Bolsonaro que se referiu a pandemia como “gripezinha”, mais de uma vez, inclusive em pronunciamento oficial à nação, gravou até mesmo um vídeo ao lado de um vendedor ambulante, onde diz que “O povo quer voltar a trabalhar ou a fome vem aí. O povo tem dito para mim, se é que devemos seguir o povo e eu acho que sim, todo mundo está pedindo para trabalhar”.

Nos redutos em que reina a “Nova Fé”, Jair Messias Bolsonaro se comporta como o Messias do povo. É como se a história nos ensinasse que o substantivo Fuhrer, como era chamado Hitler, deriva do verbo Fuhren que significa “para conduzir”, “guiar” ou “liderar”. É como se a história nos ensinasse que o Grande Pai Fuhrer toca na concretude do dia a dia do povo, do “arroz e feijão”, do “sustento dos filhos”, do “desemprego”.

A necessidade do isolamento social como medida de saúde pública para “achatar a curva” de disseminação do vírus significa concretamente para o povo passar fome. O povo assume como verdade a verdade vivida, palpável e interpreta o discurso que não a reconhece como mentiroso. O povo está acostumado com “gripezinha”, inclusive, acostumado a trabalhar gripado. É esse caráter consuetudinário da dominação e da hierarquia, que alija o povo da consciência de serem explorados e oprimidos, com cada vez menos direitos. O povo, a quem a predica marxista atribuiu a vocação de revolucionário e o papel de salvador do coletivo não dialoga com o povo de carne e osso, mais preocupado com a forragem do estômago.

O elo entre o líder e a legião de homens e mulheres a serem guiados é a afinidade cotidiana. A história nos ensina que o fascismo que tingiu de sangue o século XX não arrastou o povo, mas ancorou-se no seu consentimento. O discurso de Hitler e o discurso de Bolsonaro conduzem a morte. Bolsonaro falou que pretende assinar um decreto para liberar o trabalho de todas as profissões. É importante lembrar que na entrada dos campos de concentração também estava escrito “O trabalho liberta”.

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