Boulos Paz e Amor no Roda Viva

Guilherme Boulos no programa Roda Viva da TV Cultura
Guilherme Boulos no programa Roda Viva da TV Cultura

O programa Roda Viva faz uma série de entrevistas com os candidatos a presidência do Brasil. DISPARADA, através deste espaço, cobrirá uma a uma semanalmente. Nesta semana, o candidato convidado foi o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos.

Boulos foi didático. Em tom professoral, anunciou que sua eventual primeira medida de governo seria um plebiscito revogatório das medidas de Temer.

O péssimo nível da roda refletiu num programa quase morno. Jornalistas com perguntas simplórias, reflexões tiradas da caixa de comentário do “O Antagonista”. Pareciam estar na Guerra Fria, tamanho anacronismo discursivo.

O candidato versou sobre temas do cotidiano nacional, repetindo a fórmula de sua coalizão. Taxar lucros e dividendos, grandes fortuna, reformar a previdência pelo “andar de cima” e muito plebiscito. Muito plebiscito.

Sua posição quanto ao ciclo totalitário do judiciário foi quase liberal. Calcando a resposta na liberdade de expressão, fez uma crítica morna sobre o poder dos monarcas de Curitiba e trupe. Não fez a defesa da política frente aos desmandos dos concurseiros. Pareceu não entender seu papel na conjuntura. Perdeu uma grande oportunidade.

A melhor parte da entrevista talvez tenha sido a resposta pedagógica acerca da Venezuela. Explicou o que a grande mídia não explica. Foi paciente com o vulgar entrevistador Rubens Figueiredo que repetiu chavões do “Revoltados Online” e foi extremamente grosseiro para com o as mazelas dos venezuelanos. Colocou o debate no lugar certo. Outro momento interessante foi a crítica ao sistema financeiro, ancorada numa retórica interessante, falando diretamente com os trabalhadores, em linguagem popular, num momento raro ao PSOL. Também foi ótima a tirada dada ao apresentador Ricardo Lessa. Questionado se, referindo-se a prisão de Lula, “escolheria que lei cumprir”, Boulos respondeu algo como “Quem escolhe qual lei cumprir são as elites deste país há 200 anos”, citando inúmeros exemplos depois. Lula fez o mesmo em 1989 no mesmo programa. A história se repete.

Talvez o candidato psolista deveria ter sido mais incisivo, menos conciliatório. Se em momentos parecia o Lula de 89, na maioria parecia sereno demais. Um Boulinhos paz e amor. Talvez uma análise mais atenta do fenômeno Mélenchon na França sane este defeito retórico.

Boulos é um grande candidato. É visivelmente preparado. Seu movimento é estruturado e  sua formação é completa. É o melhor candidato petista desde Lula.

Assista na íntegra a entrevista:

https://www.youtube.com/watch?v=0nCvjf7G5Kc

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