Brasil estagnado só tem uma agenda há 13 anos: combate à corrupção

Sempre me vem à memória a referência de comparação. Em 15 anos (1930-1945) Getúlio Vargas promoveu amplas mudanças para começar a levar o Brasil agrário ao início da industrialização. Em 13 anos (2006 a 2019), o Brasil patina com sua agenda monotemática de suposto combate à corrupção.

Uma vez deposto pelos próprios aliados, Getúlio voltou ao governo pelo voto popular em 1950 e aprofundou as mudanças, que culminaram no seu suicídio quatro anos depois.

Fora emparedado também pelas acusações de corrupção por golpistas internos articulados a golpistas externos. Isso, na trama geopolítica do subdesenvolvimento de uns como parte do desenvolvimento de outros.

A partir de 2004, com a decisão pela exploração do pré-sal, o Brasil começou a padecer do que a literatura de políticas públicas chama de a “maldição dos recursos naturais”.

Mas isso não por já sofrer da “doença holandesa” que Bresser Pereira nos ensina brilhantemente em seus trabalhos. Afinal, o Brasil desenvolvera, de 1930 a 1980, um sistema produtivo robusto e diversificado, chegando a ser um dos países com maior crescimento mundial no período. Em média, mais até que a China.

Doença holandesa é quando o país fica refém de apenas um recurso natural para tocar sua economia, não conseguindo promover sua diversificação. Não conseguindo, portanto, a complexidade necessária para uma sociedade pujante.

A agenda única de agora é o combate à corrupção, iniciado em 2006 com o chamado mensalão num rompante deflagrado por aquele que tomou um soco no olho, depois que seus cúmplices foram pegos em flagrante como ladrões de galinha do varejo.

Não sei como não morreu gente de lá para cá dessa espécie. Nos Estados Unidos, se precisar, matam senador, presidente, líder de movimentos sociais e o escambau.

Enfim, o Brasil no fundo poço e dos paneleiros de amarelo tirando onda de contestadores. E pior: o combate à suposta corrupção de uns e outros feito pelos lavajusticeiros de exceção, ao lado do desmonte geral do estado, da entrega dos recursos estratégicos, do desemprego e da violência contra as camadas mais pobres como politica pública deliberada.

Desde quando começou a Lava Jato já denunciávamos seus descalabros e suas intenções geopolíticas. Algo muito sério acontece no processo cognitivo daqueles que ainda acreditam na República de Curitiba, mesmo ela se desmoronando agora e trazendo à tona essa gosma fedorenta do judiciário e das elites brasileiras.

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