Leonel Brizola e a revolução nacional do Brasil

É necessário resgatar não só a figura de Leonel Brizola, mas também apontar a atualidade de seu pensamento.

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Governador Leonel Brizola armado para a Resistência da Constituição Democrática. Porto Alegre, 27/08/1961

Brizola fazia da carta-testamento de Getúlio sua maior fonte de inspiração. De sua leitura, concluía que a chave dos problemas brasileiros era o ”processo espoliativo” a que o Brasil estava submetido por interesses e potências internacionais. Eis aí uma leitura anti-imperialista, que contempla as disputas globais e o nosso papel e o da América do Sul no âmbito mundial.

O velho Leonel considerava que parte da elite brasileira se vinculava a esse processo espoliativo, servindo de elo na exploração e submissão do povo. Essa elite não era parte verdadeira da nação, eram os ”traidores”.

Os conflitos pátrios eram explicados por meio dessa dicotomia, entre os traidores que serviam de intermediários e aliados do processo espoliativo levado a efeito por agentes internacionais, e o povo, que lutava por sua emancipação e liberdade frente a esses inimigos imperialistas.

A dicotomia conduziria a uma batalha de sabor apocalíptico, que Brizola chamava de ”desfecho”. O desfecho era nosso Armageddon, que colocaria povo e antipovo em trincheiras opostas. Não haveria outra alternativa possível, senão a de lutar pelo país ou ser arregimentado pelas hostes dos traidores.

Para ser bem sucedido no ”desfecho” e colocar fim ao ciclo imperialista na nossa história, o povo tinha de se organizar. Não bastava confiar no sistema político-partidário ou nos sindicatos. Tudo isso era importante, mas outras esferas de atuação eram fundamentais. Daí a necessidade dos ”Comandos Nacionalistas” ou ”Grupo dos Onze”, que seriam células armadas e preparadas para o momento do ”desfecho”.

A busca pela libertação do povo brasileiro deveria incluir os meios da política burguesa-liberal, que permitia uma política reformista. Mas, se a Reforma fracassasse, o povo organizado estaria pronto para a revolução nacionalista. E quando se diz nacionalista, se entende que o país tem de trilhar um caminho próprio, nem capitalista nem comunista.

O Brizola dos anos 1960 já sabia de praticamente tudo de relevante sobre a política brasileira e sul-americana.

Por André Luiz Dos Reis

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