Homem ao mar: cai o ministro Bebianno

Depois de uma novela que se alastrou desde quinta-feira(14),o ministro da secretaria geral da presidência da república, Gustavo Bebianno, foi demitido, na prática, de seu cargo por suspeitas de irregularidade durante a campanha de 2018. A exoneração oficial sairá ainda nesta segunda-feira(18), informou o vice-presidente Hamilton Mourão.

Episódio 1 – A reportagem
Em reportagem da Folha, comprovou-se que Bebianno, enquanto presidente do PSL, liberou dinheiro do fundo partidário (recursos públicos destinados aos partidos políticos) à candidaturas fantasmas, que ora devolviam os recursos ao partido, ora entregavam às gráficas ligadas ao esquema. Em um dos casos, chegou-se a ameaçar uma candidata reticente ao esquema com uma arma sob a mesa. Típico dos novos tempos. A candidata laranja encontra-se autoexilada em Portugal e seu nome foi preservado.

Bebianno é tido como um dos homens de confiança do presidente e foi responsável por boa parte da política partidária do grupo que comanda o poder executivo. Bolsonaro parecia confiar ao advogado Bebianno toda a sorte de tarefas. Desde as mais básicas de campanha, até articulações mais complexas, incluindo a reforma da previdência. É, definitivamente, um homem de segredos.

O ex-ministro tentou colocar panos quentes antes de ser demitido. Afirmou que estava em constante conversa com o presidente – moribundo numa maca de hospital – e que este havia dito-lhe que “confiava em sua inocência”. Bebianno foi prontamente desmentido pelo filho do presidente, Carlos Bolsonaro. Carlos divulgou um áudio do próprio pai em que ele se negava a atender o ministro Bebianno. No mínimo, constrangedor. No máximo, uma irresponsabilidade de quem está disposto a qualquer coisa para galgar uns espaços no coração paterno e presidencial.

Freud explica

A relação de Carlos com Bebianno nunca foi amistosa. Corre a notícia que o filho “02” sempre nutriu ciúmes do advogado, que era tido como uma espécie de “conselheiro especial” para assunto legais e administrativos. Pessoas ligadas ao PSL afirmam que o Carlos criticou a nomeação de Bebianno desde o primeiro instante, tendo se afastado da transição por causa de uma desavença com o advogado carioca. Ventila-se em Brasilía que esta desavença passa para além de um ciúmes paternal (Carlos é, de longe, o filho mais próximo do presidente). Para o “02”, Bebianno é alguém ligado ao establishment e que conspirou para a derrubada do ex-candidato à vice presidente, o herdeiro moncarca Luiz Phelippe de Orléans, amigo próximo dos irmãos Bolsonaro.

Grand Finale

Os momentos seguintes a divulgação de áudios do presidente, feita por Carlos Bolsonaro, foram turbulentos. Parlamentares da base aliada se manifestaram contra a “fritura” promovida pelo filho do presidente. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), inclusive intercedeu pedindo ao presidente que reconsiderasse. Fez coro ao pedido o vice presidente da republica e ombudsman, General Mourão, bem como boa parte da bancada do PSL, e principalmente, os militares, que nutrem profundo desprezo pelos filhos do presidente.

Bebianno defendeu-se, em entrevista à Crusoé dada no sábado(16) afirmou que “não era moleque” e que “não havia palavras para o tamanho da decepção que eu sinto” . Por fim, rebateu a declaração de Bolsonaro, que havia colocado a possibilidade de Bebianno “Voltar para sua origem”, o ministro respondeu: “todos voltarão um dia para as origens, inclusive o presidente”.

No domingo, o repórter Gerson Camarotti, da Globonews, disse em seu blog ter ouvido de interlocutores a seguinte frase, atribuída ao agora ex ministro Bebianno: “Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro. Nunca imaginei que ele seria um presidente tão fraco”. O ex-ministro definitivamente está magoado.

Bebianno está demitido. O peso político da queda ainda não é mensurável.  Bebianno é um dos principais articuladores do governo e conhecedor de todos os meandros do clã Bolsonaro. Não será simples jogá-lo aos tubarões. Ele deixou isso bem claro quando, na tarde deste sábado, postou em seu twitter: “O desleal, coitado, viverá sempre esperando o mundo desabar na sua cabeça”. É simples: Bebianno está deixando bem claro que quando lhe for conveniente, pode muito bem abrir a boca. Bebianno é um homem de segredos.

Para a oposição, fica a sinalização de que este governo é mais fraco do que se imaginava. O partido do presidente é frágil e a unidade está longe de ser uma realidade. Já dizia o velho Brizola:”Presidente eleito no Brasil sem partido forte ou cai ou dá tiro no peito”. É tempo para uma resposta responsável, inteligente e que consiga articular verdadeiras derrotas ao planalto.

O governo nasce boiando. As águas do planalto não são das mais calmas.
Homem ao mar!

Bolsonaro e Bebianno
Bolsonaro e Bebianno, `“Você pagou com traição, a quem sempre te deu a mão!”´.

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