GILBERTO MARINGONI: Globo esconde caixa 2 do Bolsonaro numa manobra de risco

A Globo fez uma aposta arriscada ao ignorar o principal fato do dia – a denúncia do caixa 2 do Bolsonaro – no Jornal Nacional. Que se trata de uma canalhice, é ponto pacífico.

Mas o financiamento ilegal do WhatsApp é fato jornalístico de primeira grandeza. O encobrimento é semelhante ao de 25 de janeiro de 1984, quando o repórter Ernesto Paglia foi deslocado para o gigantesco comício pelas diretas, na praça da Sé, e afirmou tratar-se de um ato pelo aniversário da cidade.

A Globo aposta na morte rápida da denúncia, o que é um risco jornalístico enorme. Se o caso ganhar ruas e redes, a emissora terá de correr atrás e a manobra ficará clara para um público amplo.

Sempre haverá o recurso de se noticiar na Globo News, para “explicar” que a rede não ignorou o tema. A GN, como se sabe, atinge pequena fração do público da emissora aberta e não tem nem sombra da repercussão desta.

A firma dos Marinho fez hoje uma opção tácita por Bolsonaro, provavelmente precificando as perdas e ganhos de uma atitude mais ousada em um governo que pode não ter condescendência alguma com a rede. Lembremos: o fascista já tem uma aliança preferencial com a Record.

Mas a Globo também percebeu que seu poder é limitado diante da onda irrefreável do WhatsApp, até aqui sob amplo domínio do fascismo.

O estranho dessa noite foi a campanha de Fernando Haddad também ter ignorado a denúncia da Folha de S. Paulo. Falta de tempo é justificativa canhestra, pois bastaria gravar dois minutos e editar de forma simples, para colocar a bomba na rua. Falta de recursos diante de algo que pode mudar o rumo das eleições também não vale como argumento. Se o fato apresenta tal importância, que parem mares e vulcões para divulgação ampla.

Na primeira campanha de Lula, em 1989, com equipamentos muito mais rudimentares, a equipe de TV conseguia produzir programas pela manhã, editar na hora do almoço e entregar a fita no início da tarde para que o conteúdo fosse veiculado à noite.

É importante saber o que houve.

(Seria difícil que o Datafolha de hoje apresentasse resultados diversos dos divulgados, pois os programas sobre a tortura ainda não devem ter surtido efeito)

Por Gilberto Maringoni

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