RICARDO CAPPELLI: Datafolha Rio: a direita de camarote

Quem debate agora um eventual segundo turno no Rio entre Paes e Freixo, empolgado com o resultado do Datafolha, ainda não entendeu nada do que está acontecendo. Infelizmente, é uma foto imprestável para qualquer análise política séria.

No ano passado, a turma da bolha discutia a possibilidade de reeleger Lindbergh e eleger Chico Alencar para o Senado. Um delírio absoluto, abstração psicodélica da correlação de forças.

Resultado? A direita fez barba, cabelo e bigode, ou melhor, Witzel, Flávio Bolsonaro e Arolde de Oliveira. Lindbergh ficou atrás do também derrotado César Maia.

Quem será o candidato de Witzel no Rio? E de Bolsonaro? Enquanto estas peças não entrarem em campo, qualquer previsão é furada.

RICARDO CAPPELLI: Datafolha Rio: a direita de camarote
Jair Bolsonaro e Wilson Witzel. Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo

Crivella tá morto? Será? É bom não subestimar o “defunto”. A cidade do Rio tem quase 40% de evangélicos. O atual prefeito nunca teve menos de 19% na cidade, mesmo quando um pastor ligado à sua igreja chutou literalmente a Santa.

Paes é forte? Sem dúvida, foi um prefeito que entregou obras, serviços, mudou a cidade e tem fama de bom gestor. Seu problema são os fantasmas de algumas amizades do passado.

Freixo vai crescer? Bateu no teto? Como fará campanha na “cidade dos milicianos”? As “excentricidades” de algumas correntes de seu partido cobrarão um preço? Freixo amadureceu muito em Brasilia, mas ainda é uma incógnita o resultado eleitoral da volta do PSOL pra dentro do PT.

A defensiva da esquerda é grande. No cenário mais otimista, talvez Paes e Freixo disputem uma vaga contra alguém da direita no segundo turno. Talvez.

Por Ricardo Cappelli

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