RICARDO CAPPELLI: Davos está mais perdido que roupa íntima em lua de mel

A nova panaceia do fórum econômico mundial de Davos foi a necessidade de requalificar 1 bilhão de trabalhadores até 2030. A OCDE estima que se isso não acontecer, os países do G20 perderão cerca de 11 trilhões de dólares.

RICARDO CAPPELLI: Davos está mais perdido que roupa íntima em lua de mel

Que economista só acerta mais que cartomante já é um fato bastante conhecido. Mas aqui não é apenas erro. É a tentativa de empurrar para o indivíduo uma encruzilhada do sistema

Especialistas estimam que em 15 anos, entre 40 e 50% dos empregos existentes hoje nos EUA serão substituídos por inteligência artificial. Diferente dos efeitos gerados pela invenção do motor a vapor e pela energia elétrica, a destruição que será gerada pela nova revolução inevitável está muito longe de ser “criativa”.

A inteligência artificial quebrará paradigmas reduzindo brutalmente a necessidade do homem no processo produtivo. Serviços? A máquina fará melhor também. O software “inteligente”, a partir de seus dados biométricos processados num BigData mundial, fará um diagnóstico da sua saúde muito mais preciso que o médico que lhe conhece desde bebê.

A requalificação como saída salvadora para o sistema é uma miragem desfocada, uma ilusão absoluta. Teremos uma casta imensa de “inimpregáveis estruturais”. O Vale do Silício, mais pragmático, já precificou sua solução: renda básica universal para todos os “zumbis sociais”.

Vai custar caro? Muito pouco perto da concentração inimaginável de capital gerada pela nova revolução. O colchão de morfina para evitar rebeliões “vale o preço”.

A retirada dos humanos de boa parte do processo produtivo trará uma série de novas questões econômicas, políticas, éticas e sociais. A “morfina” vai resolver? É bom não subestimar a capacidade do capitalismo de “ajeitar” as coisas.

O liberalismo e o socialismo são filhos da revolução industrial. A revolução em curso é muito mais radical. O que produzirá? Uma coisa é certa: Davos está mais perdido que roupa íntima em lua de mel.

Por Ricardo Cappelli

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