GUSTAVO CASTAÑON: O plano dos militares

Bolsonaro não era o candidato da cúpula militar até a reta final das eleições.

Ele é um delinquente conhecido do oficialato, que sabe que ele é um imbecil e um degenerado moral que chegou inclusive a ser expulso da corporação por planejar um atentado terrorista contra as dependências do próprio Exército Brasileiro.

Fez isso liderando uma rebelião por… dinheiro.

É isso, Bolsonaro começou sua carreira como um amotinado miliciano criminoso nas Forças Armadas e, por isso, foi expulso delas.

É claro que nenhum general honrado sonhou com o dia em que teria que bater continência para essa aberração moral e cognitiva que fingiu uma conversão ao pentecostalismo para colocar a palavra “Messias” no nome.

Mas esse dia chegou.

Eles tinham duas opções: deixar o Brasil na mão de oligofrênicos olavetes, entreguistas neoliberais e marginais milicianos, ou tentar salvar a nação disputando espaço com esses grupos e impondo alguma racionalidade a um governo que, quisesse eles ou não, estaria para sempre associado às FFAA.

Eles optaram pela segunda linha de ação.

Num primeiro momento, perderam peças importantes para a rede de intrigas dos criminosos que decidiram as eleições com base em crimes em massa pela rede.

Submergindo e agindo com ainda mais cálculo e prudência, esperaram o desgaste do núcleo oligofrênico na política exterior, do núcleo entreguista na economia e dos marginais milicianos diante do avanço das investigações contra o “Gabinete do Crime”.

Hoje, o núcleo olavete está praticamente isolado, Guedes por um fio, e o núcleo miliciano tenta disseminar o caos no país chamando por um confronto direto com as FFAA, que estão aliadas ao núcleo lava-jatista do governo.

O único efetivo suporte político de Bolsonaro hoje são as Forças Armadas, uma vez que o lava-jatismo tem seu próprio projeto de poder.

Desesperado, tentata dar um sinal de força com o movimento de policiais amotinados por dinheiro em todo país, exatamente como no início de sua carreira política, levantando contra ele quase todos os governadores brasileiros.

Depois de ter isolado o olavismo, assumido a política exterior e se livrado do liberalismo corrupto de Onyx e sua interlocução com o Congresso, os militares planejam se livrar do entreguista incompetente Paulo Guedes e dar uma guinada na política econômica, governando com o lava-jatismo.

Se planejam isso com Bolsonaro na cadeira de presidente, façam suas contas.

Nenhum general honrado jamais sonhou com esse dia.

GUSTAVO CASTAÑON O PLANO DOS MILITARES PAULO GUEDES GENERAL HELENO BOLSONARO

3 Comentários

  • Vc dá um belo escritor de romance, estilo realidade fantasiosa. Pegou das beiradas e fez um enredo genial. Já tentou a rede globo, folha, veja, exame,.. Eles estão tão desesperados que esse tipo de escrita se encaixa perfeitamente às necessidades deles. Vai lá!

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  • OS IDIOTAS CONFESSOS – por Nelson Rodrigues

    “Antigamente, o idiota era o idiota. Nenhum ser tão sem mistério e repito: — tão cristalino. O sujeito o identificava, a olho nu, no meio de milhões. E mais: — o primeiro a identificar-se como tal era o próprio idiota. Não sei se me entendem. No passado, o marido era o último a saber. Sabiam os vizinhos, os credores, os familiares, os conhecidos e os desconhecidos. Só ele, marido, era obtusamente cego para o óbvio ululante.
    Sim, o traído ia para as esquinas, botecos e retretas gabar a infiel: — “Uma santa! Uma santa!”. Mas o tempo passou. Hoje, dá-se o inverso. O primeiro a saber é o marido. Pode fingir-se de cego. Mas sabe, eis a verdade, sabe. Lembro-me de um que sabia endereço, hora, dia etc. etc.
    Pois o idiota era o primeiro a saber-se idiota. Não tinha nenhuma ilusão. E uma das cenas mais fortes que vi, em toda a minha infância, foi a de uma autoflagelação. Um vizinho berrava, atirando rútilas patadas: — “Eu sou um quadrúpede!”. Nenhuma objeção. E, então, insistia, heróico: — “Sou um quadrúpede de 28 patas!”. Não precisara beber para essa extroversão triunfal. Era um límpido, translúcido idiota.
    E o imbecil como tal se comportava. Nascia numa família também de imbecis. Nem os avós, nem os pais, nem os tios, eram piores ou melhores. E, como todos eram idiotas, ninguém pensava. Tinha-se como certo que só uma pequena e seletíssima elite podia pensar. A vida política estava reservada aos “melhores”. Só os “melhores”, repito, só os “melhores” ousavam o gesto político, o ato político, o pensamento político, a decisão política, o crime político.
    Por saber-se idiota, o sujeito babava na gravata de humildade. Na rua, deslizava, rente à parede, envergonhado da própria inépcia e da própria burrice. Não passava do quarto ano primário. E quando cruzava com um dos “melhores”, só faltava lamber-lhe as botas como uma cadelinha amestrada. Nunca, nunca o idiota ousaria ler, aprender, estudar, além de limites ferozes. No romance, ia até ao Maria, a desgraçada.
    Vejam bem: — o imbecil não se envergonhava de o ser. Havia plena acomodação entre ele e sua insignificância. E admitia que só os “melhores” podem pensar, agir, decidir. Pois bem. O mundo foi assim, até outro dia. Há coisa de três ou quatro anos, uma telefonista aposentada me dizia: — “Eu não tenho o intelectual muito desenvolvido”. Não era queixa, era uma constatação. Santa senhora! Foi talvez a última idiota confessa do nosso tempo.
    De repente, os idiotas descobriram que são em maior número. Sempre foram em maior número e não percebiam o óbvio ululante. E mais descobriram: — a vergonhosa inferioridade numérica dos “melhores”. Para um “gênio”, 800 mil, 1 milhão, 2 milhões, 3 milhões de cretinos. E, certo dia, um idiota resolveu testar o poder numérico: — trepou num caixote e fez um discurso. Logo se improvisou uma multidão. O orador teve a solidariedade fulminante dos outros idiotas. A multidão crescia como num pesadelo. Em quinze minutos, mugia, ali, uma massa de meio milhão.
    Se o orador fosse Cristo, ou Buda, ou Maomé, não teria a audiência de um vira-lata, de um gato vadio. Teríamos de ser cada um de nós um pequeno Cristo, um pequeno Buda, um pequeno Maomé. Outrora, os imbecis faziam platéia para os “superiores”. Hoje, não. Hoje, só há platéia para o idiota. É preciso ser idiota indubitável para se ter emprego, salários, atuação, influência, amantes, carros, jóias etc. etc.
    Quanto aos “melhores”, ou mudam, e imitam os cretinos, ou não sobrevivem. O inglês Wells, que tinha, em todos os seus escritos, uma pose profética, só não previu a “invasão dos idiotas”. E, de fato, eles explodem por toda parte: são professores, sociólogos, poetas, magistrados, cineastas, industriais. O dinheiro, a fé, a ciência, as artes, a tecnologia, a moral, tudo, tudo está nas mãos dos patetas.
    E, então, os valores da vida começaram a apodrecer. Sim, estão apodrecendo nas nossas barbas espantadíssimas. As hierarquias vão ruindo como cúpulas de pauzinhos de fósforos. E nem precisamos ampliar muito a nossa visão. Vamos fixar apenas o problema religioso. A Igreja tem uma hierarquia de 2 mil anos. Tal hierarquia precisa ser preservada ou a própria Igreja não dura mais quinze minutos. No dia em que um coroinha começar a questionar o papa, ou Jesus, ou Virgem Maria, será exatamente o fim.
    É o que está acontecendo. Nem se pense que a “invasão dos idiotas” só ocorreu no Brasil. Se fosse uma crise apenas brasileira, cada um de nós podia resmungar: — “Subdesenvolvimento” — e estaria encerrada a questão. Mas é uma realidade mundial. Em que pese a dessemelhança de idioma e paisagem, nada mais parecido com um idiota do que outro idiota. Todos são gêmeos, estejam uns aqui, outros em Cingapura.
    Mas eu falava de que mesmo? Ah, da Igreja. Um dia, ao voltar de Roma, o dr. Alceu falou aos jornalistas. E atira, pela janela, 2 mil anos de fé. É pensador, um alto espírito e, pior, uma grande voz católica. Segundo ele, durante os vinte séculos, a Igreja não foi senão uma lacaia das classes dominantes, uma lacaia dos privilégios mais hediondos. Portanto, a Igreja é o próprio Cinismo, a própria Iniqüidade, a própria Abjeção, a própria Bandalheira (e vai tudo com a inicial maiúscula).
    Mas quem diz isso? É o Diabo, em versão do teatro de revista? Não. É uma inteligência, uma cultura, um homem de bem e de fé. De mais a mais, o dr. Alceu tinha acabado de beijar a mão de Sua Santidade. Vinha de Roma, a eterna. E reduz a Igreja a uma vil e gigantesca impostura. Mas se ele o diz, e tem razão, vamos, já, já, fechar a Igreja e confiscar-lhe as pratas.
    Cabe então a pergunta: — “O dr. Alceu pensa assim?”. Não. Em outra época, foi um dos “melhores”. Mas agora é preciso adular os idiotas, conquistar-lhes o apoio numérico. Hoje, até o gênio se finge imbecil. Nada de ser gênio, santo, herói ou simplesmente homem de bem. Os idiotas não os toleram. E as freiras põem short, maiô e posam para Manchete como se fossem do teatro rebolado. Por outro lado, d. Hélder quer missa com reco-reco, tamborim, pandeiro e cuíca. É a missa cômica e Jesus fazendo passista de Carlos Machado. Tem mais: — o papa visitará a América Latina. Segundo os jornais, teme-se que o papa seja agredido, assassinado, ultrajado etc. etc. A imprensa dá a notícia com a maior naturalidade, sem acrescentar ao fato um ponto de exclamação. São os idiotas, os idiotas, os idiotas.”
    Nelson Rodrigues
    #elesNÃO

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  • Professor Gustavo Castañon,

    Acha provável, ou pelo menos possível, um golpe militar contra Bolsonaro?

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