GUSTAVO CASTAÑON: É partido, não inteiro, deputada

Tabata continua desrespeitando o PDT com suas intervenções que simplesmente nos negam o direito de ter uma posição e interpretação da realidade distinta da dela. Como se tivessemos sido irresponsáveis e não tivéssemos reconhecido a necessidade de reforma ou negociado com Maia e o Congresso.

Ela nos nega o direito de considerar o resultado final dessa negociação, essa proposta, absolutamente inaceitável, e se revelou inflexivelmente aderida a reforma de Guedes, a ponto de ser a única da bancada do PDT a votar contra o abono àqueles que ganham de um a três salários mínimos, o que não pode ser justificado em nome de qualquer resquício de compromisso social.

O PDT é um partido no qual acreditamos, e que mantemos vivo com nada além de sacrifício pessoal, sem dinheiro de milionários ou grandes empresas.

Agora, sem ter a coragem de nominá-lo, a deputada insinua que esse partido, no qual ela entrou há pouco mais de um ano, aquele que há um mês ela exaltava em discursos inflamados, lar de brasileiros como Darcy Ribeiro e Anisio Teixeira aos quais ela dizia querer se igualar um dia, não representa mais a sociedade, só uma parcela dela.

Mas é claro que sim, deputada! Você só percebeu agora?

Só percebeu agora que o nome é “partido” e não “inteiro”?

Nenhum partido representa o conjunto da sociedade, porque nenhuma sociedade em seu conjunto tem o mesmo projeto para ela.

A ilusão de que um partido possa representar o conjunto da sociedade é a mais extrema forma de autoritarismo, que está insinuada pelo seu texto.

Nós representamos os trabalhadores, os excluídos, os produtores e aqueles que querem que o Brasil não seja uma colônia dos EUA, da China ou de qualquer outra nação.

Não representamos definitivamente os especuladores, os banqueiros, as corporações, os neoliberais e os entreguistas.

Essa é a sua visão do futuro da política? Um agrupamento de movimentos que obedecem a milionários e considera partidos que tentam se manter coerentes a seus valores e princípios obsoletos?

Não há nenhuma ousadia em defender interesses dos poderosos, deputada. Ousadia é se manter fiel a seus princípios mesmo diante do poder mais esmagador.

Você não pode tentar pintar como obsoleta nossa coerência e nossos princípios. Você acabou de se filiar a esse partido.

É vice-presidente do partido em São Paulo, membro do conselho político, pré-candidata a prefeita, e reclama de falta de democracia interna?

Venha defender suas visões no partido deputada, mobilize militantes para as convenções regionais, venha sentir como os militantes de São Paulo que lhe elegeram estão devastados com sua postura, voto e conduta dos últimos dias.

Aqui no PDT nós não estamos presos a “amarras ideológicas”, mas a ideais, princípios e compromissos com aqueles que prometemos representar.

Pare de nos desrespeitar.

Nenhum dirigente de nosso partido a ofendeu ou desrespeitou em nenhum momento. Não é porque você tem 25 anos que não temos direito a cobrar de você coerência com os ideais do partido.

Se você quer que seu comportamento seja reconhecido como orientado por ideais e princípios, mesmo que diferentes dos nossos, reconheça nosso direito a defender tudo aquilo que prometemos ao povo brasileiro defender.

Talvez você faça de fato parte de um processo de renovação da política brasileira, que você traça com esse texto padrão do discurso do “Acredito” e de outras incubadoras financiadas por milionários, no nono país mais desigual do mundo e que cobra menos impostos de ricos.

No entanto, nem tudo o que é novo é necessariamente melhor deputada. Desde Collor temos visto as promessas de “nova política” se sucedendo umas piores que as outras até chegar ao pináculo da maldade e do atraso que é o Governo Bolsonaro.

A mistura de políticos criados sem respeito aos partidos e sem compromisso ideológico, financiados por milionários para defender pautas neoliberais e massacre de direitos em nome do bem e do futuro não parece ser nada melhor do que o governo que temos hoje.

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