Castilhismo: o elo entre Floriano e Getúlio

Para compreender corretamente o castilhismo, há de se ter atenção para seu espírito antes que para uma formulação teórica, como salienta Antonio Paim.

O espírito do castilhismo é indissociável não só das condições específicas e particulares de formação riograndense — alô, alô, gaúchos! –, mas também pelo modelo representado pelo FLORIANISMO.

Na casa de Vargas, não havia grandes retratos de Augusto Comte, nem muito menos sua carreira foi inspirada de modo relevante por Mussolini. No entanto, ele cresceu em meio à veneração familiar pela guerra, por Júlio de Castilhos e pelo Marechal de Ferro.

Quando vitorioso na Revolução de 1930, Getúlio recebeu um pequeno bilhete redigido por seu pai, que havia lutado na guerra civil do início da República. O bilhete deixa claro que o exemplo que Vargas vislumbrava era o florianista.

Para compreender corretamente o castilhismo, há de se ter atenção para seu espírito antes que para uma formulação teórica, como salienta Antonio Paim.

“Embora se reconheça a presença da influência positivista no Rio Grande do Sul, a importância da filosofia política daí resultante, isto é, o castilhismo, ainda não foi compreendida, com a amplitude que seria de desejar pelos estudiosos do pensamento político-social brasileiro. Entretanto, sem a referência da teoria e da prática castilhista nossa história republicana torna-se campo propício a simplificações de toda ordem, como por exemplo a tentativa de reduzir o Estado Novo a uma projeção do nazifascismo. Ainda mais: não se trata tão-somente da ascendência do autoritarismo, para que todos hoje chamam a atenção. O castilhismo não é uma simples defesa do autoritarismo. É uma doutrina de muito maior significação, coerentemente elaborada, que foi defendida e aperfeiçoada no Rio Grande do Sul ao longo dos quatro primeiros decênios da República e, a seguir, transplantada para o plano nacional por Getúlio Vargas”. (Paim, pág. 86).

Por: André Luiz dos Reis.

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