O cenário paulistano: quem será o próximo prefeito de São Paulo?

Divulgada no último domingo (20), a pesquisa IBOPE para prefeitura de São Paulo causou um certo abalo nas redes sociais. O apresentador e deputado federal Celso Russomanno (REP-SP) pela primeira vez apareceu na dianteira da corrida. O bolsonarismo vencerá em São Paulo?

Primeiro, vamos aos números:

Intenção de voto: provocada, margem de erro de 3 pontos:

24%: Celso Russomanno (Republicanos)
18%: Bruno Covas (PSDB)
8%: Guilherme Boulos (PSOL)
6%: Marcio França (PSB)
2%: Mamãefalei (PATRIOTA)
2%: Joice Hasselman (PSL)
1%: Jilmar Tatto (PT)

Demais Candidatos: 5%

Rejeição

30%: Bruno Covas (PSDB)
24%: Celso Russomanno (Republicanos)
21%: Levy Fidelix (PRTB)
17%: Joice Hasselmann
13%: Guilherme Boulos (PSOL)
10%: Mamãefalei (Patriota)
9%: Jilmar Tatto

Há hoje o fator Bolsonaro. O presidente, após achincalhar a República, ainda permanece firme nas pesquisas de opinião pública. Bolsonaro está com Celso Russomanno. O vídeo publicado na manhã de sábado, nas redes sociais do presidente, reafirma que Bolsonaro não cumprirá a promessa de ficar ausente nas eleições municipais. No vídeo, o “repórter do consumidor”, acostumado a humilhar pessoas em busca de IBOPE, defende o tabelamento de preços em tom professoral. Bolsonaro, cortês, agradece a aula do pupilo de Edir Macedo.

No dia seguinte, Russomanno volta a liderar a corrida paulistana, como costuma fazer no período pré-campanha. O apresentador é habituado a perder capilaridade conforme o andar da disputa. Neste ano há o fator Bolsonaro. Além do farto poder econômico do partido da Igreja Universal. Dízimo à parte.

À esquerda, surpreende o desempenho de Guilherme Boulos, colhendo os frutos do bom trabalho efetuado nas redes sociais. O discurso está afiado e a fala está mais mansa. A disposição de ir a qualquer emissora de rádio e tv, independente da orientação, também ajuda. Transparece maior capacidade de diálogo, para a opinião publica assustada com sua pecha injusta de “invasor”. Talvez isso explique parte de sua baixa rejeição, mesmo após uma campanha presidencial.

Marcio França está patinando. O discurso anti-dória parece forçado. Talvez levante menos paixões que o esperado na cúpula do ex-governador. A campanha parece mais fria que a dos adversários. Ao tentar alinhar-se com setores conservadores, em busca de “moderação”, acaba tendo dificuldade de assimilar a entrada de Bolsonaro ao lado de Russomanno. Precisa de uma reviravolta na campanha urgentemente. Mostrar seus feitos enquanto prefeito de São Vicente talvez seja uma saída. Também cabe maior exploração da figura do “homem de diálogo”, com alguns exemplos como a Greve dos Caminhoneiros. Se continuar apostando todas a fichas no sentimento anti-Dória, não irá engatar.

O 1% de Jilmar Tatto mostra a dificuldade do PT em conseguir novamente a prefeitura que já foi sua por três vezes. O partido não conseguiu apagar da memoria paulistana os escândalos que o assolam. Tatto possui o mesmo carisma de um criado-mudo. Soa extravagante demais, sua fala é pouco autêntica e a defesa intransigente do partido também não ajuda. Os caciques petistas, espertos, sabem que desse mato não sai cachorro. Já pularam fora do barco, deixarando o ex-secretário Jilmar Tatto à deriva.

O atual prefeito, Bruno Covas, não parece muito ameaçado. Sua rejeição é relativamente baixa, dado ao fato de ser o atual mandante do Viaduto do Chá. Num eventual segundo turno, ao mínimo aceno, terá todos os votos da esquerda. A doença também o ajuda. Seu sacrifício de comandar a cidade, numa pandemia, estando visivelmente debilitado, cativou a simpatia até mesmo de seus detratores. Pesa contra ele uma gestão caótica da pandemia e a sombra do governador João Dória, o maior perdedor político do Coronavírus.

Se o cenário atual retratado pelo IBOPE permanecer intacto, Bruno Covas será eleito prefeito de São Paulo. Obviamente tudo pode mudar, faltando quase 60 dias para o primeiro turno. Os ventos não sopram à esquerda. Celso Russomanno no segundo turno facilita a vida do prefeito paulista. Caso fosse Marcio França, a estranha união do campo popular com bolsonarismo poderia acontecer. Como o cenário parece cada vez mais improvável, a eleição caminha para a reeleição do prefeito atual.

Se parecer desolador, lembre-se que poderia ser o Russomanno, ex-maluf, ex-carnavalband, atual Edir Macedo. Nenhum mal é tão grande que não possa piorar.

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