CESAR BENJAMIN: Destinos da Previdência

Nos últimos tempos assistimos a um grande debate sobre os destinos da Previdência, que está no centro do pacto social instituído pela Constituição de 1988. Eu mesmo fiz uma proposta, que tentava conciliar a busca de equilíbrio fiscal e a preservação dos interesses dos mais pobres. Afinal, esta é a grande dificuldade.

Minha proposta de incluir um plano público de capitalização que aplicasse todos os seus recursos em títulos do Tesouro Nacional sequer foi pautada. Nem a esquerda compreendeu o alcance dela.

Hoje O Globo informa que, com a aprovação da proposta do governo, o banco Santander estima em R$ 1 trilhão as aplicações em previdência privada já no próximo ano. O sentido da operação se desnuda.

Como eu já disse aqui, gerenciar planos de previdência jovens é o melhor negócio do mundo. É uma atividade econômica que só tem entradas, nenhuma despesa.

Os economistas conservadores, por sua vez, já começaram a dizer que esta reforma, antes salvadora, precisará dar lugar a outras, em sequência, tal como eu advertia. Cada uma delas será salvadora até ser aprovada, como foram salvadoras, nos seus tempos, as privatizações, a destruição da legislação trabalhista e por aí a fora.

É assim que se destrói um país.

Por Cesar Benjamin

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