CESAR BENJAMIN: Os argumentos secretos de Paulo Guedes

Além de ser possivelmente ilegal, pela Lei de Acesso a Informação, é afrontosa à sociedade e ao Parlamento a decisão do governo de considerar sigilosos os estudos e cálculos que embasaram a proposta de reforma da Previdência.

O Congresso Nacional deveria interromper imediatamente a análise da proposta do governo, até que esses estudos, se existem, sejam apresentados. Afinal, como os parlamentares podem votar algo que altera tão profundamente a vida da sociedade sem conhecer os motivos da mudança?

É difícil encontrar explicações para um comportamento tão acintoso. Ocorrem-me duas, como especulações:

  1. Os estudos são pífios, feitos em papel de padaria, como Paulo Guedes gosta. O trilhão, que ele anuncia, não existe.
  2. O governo sabe que, nos termos da Constituição em vigor, não pode demonstrar a existência de déficit no Regime Geral (RGPS), o que mela o jogo.

Seja como for, a sociedade não pode aceitar uma reforma da Previdência feita com base em argumentos secretos.

O princípio, aqui, deve ser justamente o oposto: máxima publicidade para que haja debate.

A arrogância dsses economistas engravatados, que servem ao capital financeiro, só é proporcional à sua ignorância.

Por Cesar Benjamin

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