Derrotado em São Luís, futuro de Flávio Dino depende do PDT de Weverton Rocha

Ciro Gomes fez uma declaração dura sobre o fato do governador Flávio Dino ir votar com uma camisa escrito Lula Livre: “O Flavio Dino [governador do Maranhão do PCdoB] resolveu não apoiar ninguém [no primeiro turno]. Foi votar com camiseta ‘Lula Livre’. Eles perderam um pouco a noção da realidade.”.

Em seguida os dois botaram panos quentes:

Derrotado em São Luís, futuro de Flávio Dino depende do PDT de Weverton Rocha 1 Ciro Gomes Flávio Dino

Porém, a correlação de forças entre os dois potenciais presidenciáveis de uma Frente Ampla se alterou profundamente. Ciro está fortalecido por manter sua hegemonia no Ceará há quase 30 anos ininterruptos com a vitória em Fortaleza, além das bem sucedidas alianças do PDT com PSB e DEM em outras capitais do nordeste como Aracajú, Maceió, Recife e Salvador. Já o PCdoB está à beira da extinção pela cláusula de barreira, e o suspiro desejado vindo do Rio de Grande do Sul com Manuela em Porto Alegre não veio.

No Maranhão, primeiro estado da história a ser governado pelos comunistas, Flávio Dino e o PCdoB sofreram uma dolorosa derrota. Ao contrário de Salvador e Fortaleza, onde DEM e PDT conseguiram unificar suas bases de governo e lançar candidatos unitários para vencer a direita milicano-bolsonarista no Ceará e o PT na Bahia, Flávio Dino viu sua base de apoio pulverizada em várias candidaturas, inclusive uma do PCdoB, do deputado federal Rubens Jr., que sequer passou do primeiro turno. Um dos aliados de Dino, Duarte Júnior do Republicanos, foi ao segundo turno e terminou derrotado por Eduardo Braide do Podemos.

Dino já busca há algum tempo uma alternativa para o fim do PCdoB e fala abertamente de fusão com o PSB. Com a derrota na capital, sua procura por um partido maior deve acelerar. No entanto, ele ainda aposta bastante no lulismo decadente no nordeste como o episódio da camiseta “Lula Livre” na urna demonstrou. Com certeza ele será assediado pelo PT para sair candidato a senador pelo partido em 2022 ou até mesmo vice-presidente, tendo em vista que a cabeça de chapa os petistas não entregam de jeito nenhum. Provavelmente ele deve ir para o PSB, que é um partido menos centralizado, organizado a partir de caciques estaduais, apesar da clara hegemonia de Pernambuco para decisões nacionais. No partido de Miguel Arraes e Eduardo Campos, o governador do Maranhão poderia amenizar a rejeição ao estereotipo de comunista e organizar acordos mais amplos para se eleger senador e fazer seu sucessor no governo estadual, o que ainda assim será uma tarefa duríssima após o desastre de 2020, sem ter que carregar o fardo do isolamento petista.

Por outro lado, o PDT de Ciro Gomes, que apoia Dino no governo estadual, possui uma estrela em ascensão no estado, o senador Weverton Rocha. O partido trabalhista foi o grande vitorioso no estado, elegendo o maior número de prefeitos, 42, e de vereadores, 350. O PDT reconquista o protagonismo num estado que já governou com o histórico brizolista Jackson Lago. Aliás, diga-se, a oligarquia Sarney foi derrotada no Maranhão antes pelo trabalhismo brizolista do que pelos Comunistas do Brasil.

Weverton é um senador jovem que estará no meio de mandato em 2022, com um partido forte no estado, com uma aliança nacional importante com o PSB e outros partidos, e amplitude para atrair setores de centro e mesmo de direita no Maranhão. Flávio Dino vai precisar de um sucessor assim para continuar influente e disputar a vaga do forte senador Roberto Rocha, que apesar de estar no PSDB, foi eleito pelo PSB e é aliado antigo do PDT no estado nos tempos de Jackson Lago e Edivaldo de Holanda.

A vida do governador maranhanse não será fácil. O futuro dele depende mais do bloco de centro-esquerda liderado por PDT/PSB do que do lulismo no qual ele ainda se agarra. Ele terá que decidir por qual caminho vai seguir para continuar uma força dominante no Maranhão e relevante nacionalmente.

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3 Comentários

  • De onde vem tanta proficiência para dizer besteira? Chama atenção o linguajar inspirado no modelo de análise política dos “especialistas” da grande mídia, tipo “Merval Pereira”, que trata os agentes políticos como se fossem representantes de si mesmos,e consideram partidos comunistas como agremiações burguesas, como o PSDB, ou pequeno-burguesas, como o PDT. Duro é constatar que o descerebrado conta com admiradores. Mas, em um pais em que um sujeito como Bolsonaro foi eleito Presidente, e o boksonarismo se constituiu em uma corrente político-ideológica nacional, isso já não nos surpreende mais. Dino, seguindo a orientação do seu partido, o PCdoB, defende uma Frente Ampla, sendo tal proposta incompatível com opções que restringem essa proposição, não fazendo sentido declarar apoio ao PT contra o PDT ou declarar apoio ao PDT contra o PT, pois isso equivaleria a abrir mão de defender a necessidade política de uma Frente Ampla. Dino, por seguir a orientação coletiva de seu partido, sabe que nem o PT e nem o PDT conseguirão isoladamente derrotar a candidatura que será lançada pela centro-direita em 2022. Fora de uma Frente Ampla, PT, PDT, PCdoB, Psol, Rede, PSB, PCB, UP, PSTU, PCO assistirão, todos, à vitória da candidatura de centro-direita, apoiadíssima pelo DEM e pelo Centrão. Essa candidatura não será a de Ciro, pois o político cearense, por mais que se esforce em bajular a direita, dando declarações de amor aos partidos neoliberais tradicionais, não é confiável. A centro-direita saberá contar com um nome competitivo para ser lançado em 2022, não necessitando buscar esse nome fora de seu círculo de confiança.

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  • […] O governador do Maranhão está empenhado, com toda a energia e capacidade política que tem, a manter seu nome relevante no debate nacional, e por isso aceita as especulações da mídia petista de que poderia ser candidato a presidente pela Frente Sectária de Esquerda. Mas o que ele realmente busca fazer com essa movimentação nacional é manter o que resta de sua influência no próprio Maranhão após a saída do Palácio dos Leões, como busquei tratar na análise sobre a brutal derrota de Dino em São Luís. […]

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