Ciro Gomes e a visão econômica cristã

Por Jaquelini de Souza – Ao ser sabatinado pela Globo News, uma das últimas perguntas, a do jornalista Mário Sérgio Conti, se referia ao país que servia de modelo. Ciro respondeu, categoricamente: Alemanha. Pra mim, ali ficou mais do que claro o centrismo (à esquerda para se fazer justiça) de Ciro.

A Alemanha é referência para Ciro por ter superado a tragédia da Segunda Guerra e por ser um dos melhores países para o trabalhador no mundo, e ele ainda falou que há anos pratica a Economia Social de Mercado. Esta postura econômica melhor desenvolvida por Alfred Müller Armack foi posta em prática no primeiro governo pós-nazista, do presidente Konrad Adenuer, que escolheu para ser ministro da economia Ludwing Ehard. Ambos pertenciam ao recém criado União Democrata Cristã, ou CDU em alemão, partido da atual chanceler Angela Merkel.

A Democracia cristã como postura política é centrista por natureza, já que busca ser uma economia de mercado que atenda a todas as necessidades da comunidade, ou seja, unir liberdade (direita) com igualdade (esquerda) através da solidariedade (o valor cristão). Sua vertente econômica é a Economia Social de Mercado, que busca o mais completo bem – estar social possível, em uma sociedade que cultive a solidariedade e não o individualismo.

A Democracia Cristã alemã é fruto da experiência das visões políticas da igreja católica e sua doutrina social junto com a visão luterana de ser um dever cristão se envolver na vida comunitária para a promoção do bem – estar de todos através de seu sacerdócio universal (nas profissões), a velha ideia de vocação explicitada por Weber em A ética protestante. Com isto não estou dizendo que Ciro é um cristão piedoso, mas que sua visão econômica vem da experiência da Democracia Cristã alemã.

Por: Jaquelini de Souza.
Historiadora, cristã e protestante.

1 Comentário

  • Cara Historiadora Jaquelini de Souza
    As idéias, os programas dos partidos, não surgem do céu; surgem da concreticidade dos embates políticos. A economia social e da mercado, defendida por Adenauer foi uma resposta ao sucesso do estado de bem estar social, posto em prática pela social democracia, desde os anos 30, e o avanço extraordinário das conquistas sociais dos trabalhadores,na URSS e no Bloco Socialista. Conforme muda a conjuntura, e o concreto real, vão mudando as práticas políticas. A Comunidade Econômica do Carvão e do Aço (1951), impulsionada por políticos da estatura de Adenauer e de Gaulle, não é a mesma coisa que a União Européia (1992), após o fim da URSS e do Campo Socialista, com a Social Democracia rendida ao mito da terceira via, sob as cláusulas de Maastricht, a hegemonia da Tróika – FMI,BCE,CE- sob a liderança europeia do Deutsche Bank, comandante da austeridade para os países do sul. O caso da Grécia não sugere nenhuma solidariedade cristã…Kohl e Merkel não chegam nem perto de Adenauer, como Sarkozy está a anos luz de De Gaulle, numa União Européia, auxiliar do imperialismo norte americano no mundo. Que Ciro queira fazer acenos ao centro e centro direita , tudo bem: o que nos importa é o que entrega em troca; uns anéis, os anéis, os dedos, ou tudo , como Lula…Lembremos que o PDT é membro da Internacional Socialista, e que o grande Brizola lembrava que, abaixo do equador, era necessária, uma “pimentinha revolucionária”… Mário Arthur Sampaio
    PDT/RJ, Mestre em História- UERJ , Dr em Serviço Social- UFRJ, Pós –Doc em História –UERJ.

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