Ciro Gomes e o voto das mulheres

Ciro Gomes, candidato do PDT à Presidência, diante dos inúmeros atos ocorridos no último domingo (30) contra Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que as mulheres vão salvar o Brasil do precipício e acrescentou: “Eu fiquei muito orgulhoso de ser brasileiro, de ver que há um lado muito sadio na sociedade brasileira, que está muito adoecida por ódios, por violência, por interdições e preconceitos ideológicos”.

Ciro defende uma série de medidas orientadas para às políticas de gênero para redução da desvantagem social que atinge as mulheres brasileiras, seja em poder, seja em direitos. Reconhecendo que são desiguais os papéis conferidos aos homens e às mulheres na vida cotidiana, seu programa sinaliza uma mudança de atitude frente aos processos sociais, buscando fortalecer a autonomia das mulheres.

A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada ontem (02), mostra que Ciro, dentre os três candidatos mais bem posicionados, tem a menor rejeição entre as mulheres. Enquanto Bolsonaro e Haddad têm 49% e 36% de rejeição, respectivamente, Ciro tem 20%. A tendência confirmou o Ibope do dia anterior (01), que mostrou a rejeição de Ciro entre as mulheres em 15%, a da Haddad em 33% e a de Bolsonaro em 51%.

Eleito aos 33 anos, Ciro foi o 52º governador do Ceará, em 1990. Segundo as pesquisas do Datafolha e do Ibope, foi o governador mais popular do país na época. Como já havia feito quando prefeito de Fortaleza, metade do seu secretariado foi reservado às mulheres. Agora, como candidato à presidência, Ciro mantém sua postura trazendo como prioridade em seu plano de governo a institucionalização de políticas que visem a defesa da paridade de mulheres na política. Sua meta é igualar o número de homens e mulheres nas posições de comando no Governo Federal, ou seja, 50% dos ministérios terão à frente uma mulher.

O Brasil tem uma população de aproximadamente 203 milhões de habitantes, dos quais 51,6% são mulheres. Das pessoas abaixo da linha da pobreza, 55,6% são mulheres sem cônjuge com filhos até 14 anos. Enquanto 14,1% dos homens têm ocupações em tempo parcial (30 horas semanais), o índice para as mulheres é de 28,2%. Ao mesmo tempo, em relação às tarefas domésticas, as mulheres gastam 73% de tempo a mais que os homens. É a chamada dupla jornada. Dado alarmante também é o que denuncia que o rendimento médio das mulheres é 3/4 do observado para os homens e que apenas 39% dos cargos gerenciais são ocupados por mulheres, apesar de terem mais anos de estudo. É com base nesses dados que o programa de Ciro afirma a urgência de políticas públicas voltadas às mulheres. Um exemplo dessas medidas urgentes voltada para garantir o acesso ao mercado de trabalho é o aumento do número de vagas em creches públicas.

Da leitura do projeto do candidato à presidência é possível constatar, ainda, a pretensão de fortalecimento de leis e programas que facilitem a inserção das mulheres no meio produtivo e a garantia do cumprimento da regra que determina a igualdade de salários de homens e mulheres quando na mesma função e mesma carga horária.

Outro aspecto importante de chamar a atenção é a proposta de recriação da Secretaria das Mulheres, pasta que em junho deste ano foi transferida para o Ministério dos Direitos Humanos por Michel Temer.

No aspecto da educação, uma de suas medidas consiste na eliminação do uso de materiais de ensino que reforcem esteriótipos machistas de que as mulheres estão mais aptas para afazeres doméstico do que para o mundo da produção.

Em relação à saúde, ainda que não use a palavra “aborto”, o plano de Ciro defende a garantia de condições adequadas para a interrupção da gravidez ocorrida nas hipóteses legais, estabelecendo um ambiente no qual as mulheres atendidas nos pontos de atendimento sejam acolhidas e não criminalizadas. Também afirma que fortalecerá os programas que incentivem o parto natural e a humanização do SUS, como forma de combate à violência obstétrica.

No que se refere a políticas de enfrentamento da violência à mulher, o programa de Ciro tem como diretrizes gerais a garantia de aplicação das leis já vigentes, como a Lei Maria da Penha, a implementação de políticas públicas de proteção e apoio às mulheres em situação de violência e a identificação e mitigação das violências sofridas pelas mulheres encarceradas, principalmente as grávidas.

Bolsonaro vem se viabilizando e, diante desse cenário assustador, um candidato capaz de derrotá-lo e que traga a questão da desigualdade de gênero e a implementação de políticas públicas voltadas às mulheres para o centro de seu projeto de desenvolvimento, bem como fortaleça o papel da mulher na política, é um alento.

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