Quem é quem na claque fascista do horário nobre e no terrorismo das redes sociais?

Dizer sobre os riscos e ameças fascistas é pouco e óbvio, virou arroz de festa nos discursos variados. Seria um erro subestimar certa potencialidade organizativa de gente fascista no Brasil. Também seria equivocado, porém, superestimar uma tendência supostamente generalizada e crescente em amplas camadas da sociedade.

Essa segunda hipótese é o que os bolsonaristas supostamente organizados mais desejam, vale dizer, divulgá-los para conquistar adeptos e instaurar o medo. Criar clima! A questão a saber é justamente sobre os bolsonaristas pretensamente “organizados” em atividades criminosas.

Objetivamente falando: estão se armando em milícias? Onde, como, com quais recursos, tendo respaldo de quem e liderados por quem? Se isso é fato concreto, eis outro foco que as instituições judiciais, o aparato policial, os partidos políticos e as forças democráticas têm que começar a investigar e combater.

As divisões e conflitos na Polícia Federal, assim como no Ministério Público e em outros órgãos e instituições, não parecem indicar posição monolítica de pretensões fascistas, milicianas ou o que quer que seja.

Penso ser inexato (e até a favor dos bolsonaristas truculentos) identificar como sendo “a cara da elite brasileira” a dondoca grotesca que ofendeu os enfermeiros em Brasília no Primeiro de Maio. Pode ser, sem dúvida alguma, mas isso é muito vago e genérico.

O concreto é o seguinte: essa mulher arrogante e prepotente também apareceu (e tudo indica que costuma participar com frequência) na claque do presidente daquele chiqueirinho da entrada do Palácio do Planalto, ao lado dos jornalistas, durante as horrorosas entrevistas coletivas diárias de Bolsonaro.

Na rampa do Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro, acompanhado da filha Laura, acena para manifestantes que participam de manifestação antidemocrática em Brasília Foto de Jorge William/Agência O Globo Foto: Jorge William / Agência O Globo
Foto: Jorge William / Agência O Globo

De um lado, a claque no horário nobre, no almoço e à noite, pelos telejornais de maior audiência do país. De outro, a divulgação pelas redes sociais de supostas e subterrâneas ações de encontros e reuniões de grupos supostamente organizados. É o clima perfeito para instaurar o medo em quem foi educado para pensar e imaginar o Brasil de forma democrática pelos princípios de 1988.

Concreto, exagerado ou não, o fato é que estão certos os que alertam para os riscos da bandalheira terrorista de sangue violento e fascista. Porém, quem é oposição a Bolsonaro também precisa ter espírito e disposição de jacaré. Observar, calcular e dar o bote na hora certa, do nada, saindo das folhagens de onde menos se espera.

O conflito e as contradições, no seu início, têm a vantagem de apontar para a necessidade de começarmos a inventariar quem é quem da claque do chiqueirinho e desse pessoal que fica disseminando terrorismo pelas redes sociais. E correr atrás para botar na cadeia quem estiver no crime. Funcionários públicos e trabalhadores em geral não têm tempo para chiqueirinhos mesmo na hora do almoço.

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