Contra qualquer tipo de messianismo na política, de direita ou de esquerda

A questão do semiaberto do Lula traz o tom perigoso do messianismo político. Eu vou ficando cada vez mais refratário às unanimidades rápidas e aparentemente corretas. Tenho mais dúvidas e indagações do que convicções seguras.

Sinceramente, questões éticas interpenetradas a crenças e emoções, muitas vezes, embaralham a paisagem com suas nuvens enganadoras.

Evidente que a condenação de Lula precisa ser imediatamente anulada e ele ser solto. Agora, a progressão de regime, prevista em lei, pode ser utilizada também politicamente a favor de Lula.

Afinal, Lula aceitou ser preso, mesmo injustamente. Poderia ter pedido asilo político e lutar contra o barbarismo da Lava-Jato com armas diversificadas, nacional e internacionalmente.

Moral só existe na experiência, não na beatitude celestial de palavras e bandeiras partidárias. O messianismo da Lava-Jato só pode ser combatido com pragmatismo  político, e não com mais messianismo.

Isso requer atitude que considere os interesses em jogo, contraditórios, o contexto atual, que é o caos e a gosma do absurdo transformado em realidade, e as consequências possíveis que podem ou não beneficiar Lula.

Aceitou ser preso como quem aceita as regras do jogo, o que é muito bonito democraticamente, e agora não quer aceitar o semiaberto? Não estou clamando por coerência de moralismos histéricos, mas sim por estratégias na guerra de posições.

Posso estar errado, mas alguém me convença qual é a estratégia melhor. Ficar falando bonito contra a Lava-Jato ou aproveitar lacunas e contradições?

Ficar reagindo contra as diatribes de Bolsonaro ou articular forças para despautar as baboseiras do governo que segue de vento em popa na destruição do Brasil?

Sócrates, lá no quinto século antes de Cristo, também aceitou as regras do jogo e deu no que deu…

1 Comentário

  • Na boa, quem vai decidir é o Lula, a sua opinião é insignificante.

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