CHICO D’ÂNGELO: Contra tempos do horror, Darcy Ribeiro!

Ameaçado pelo fascismo, acossado por um projeto de destruição da soberania nacional, assombrado por pequenos grupos de extrema- direita adeptos da supremacia branca, o Brasil padece. Em um contexto de grave crise política, o governo parece não se importar com a morte de milhares de pessoas pela pandemia da Covid19. Para piorar, somos obrigado a conviver com mentecaptos em posições importantes da administração pública. Um dos exterminadores do futuro – o governo está cheio deles – é o ministro da educação, Abraham Weintraub.

Para combater o obscurantismo, o descaso com a educação e a política genocida em relação aos indígenas, precisamos levantar a bandeira dos grandes construtores do sonho de um país mais justo. Um deles é o professor Darcy Ribeiro, antropólogo, sociólogo, educador, político, escritor, comprometido com o seu tempo, Darcy foi um incansável combatente das boas causas.

Idealizador e primeiro reitor da Universidade de Brasília, redator do projeto que criou o Parque Indígena do Xingu, Ministro da Educação e Chefe da Casa Civil do governo de João Goulart; Darcy Ribeiro exilou-se após o golpe de 1964, quando teve os seus direitos cassados pela ditadura. Ao voltar ao Brasil, com a Lei de Anistia, acompanhou Leonel Brizola na criação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e foi vice-governador do Rio de Janeiro entre 1983 e 1986.

Durante a gestão de Brizola, Darcy desenvolveu o revolucionário programa de educação dos Centros Integrados de Ensino Público (os Cieps), que recentemente completaram 35 anos.

 

Pensando a necessidade da escola integral, recuperando o legado do grande educador Anísio Teixeira, concebendo a escola como um espaço criativo e libertador, Darcy ousou comprar briga contra os agentes do sucateamento do ensino público, imaginando a escola como o grande espaço de inclusão social em um país desigual.

Na batalha pela educação pública, Darcy foi ainda o responsável pela concepção e execução do audacioso projeto de criação da Universidade do Norte Fluminense (UENF), em Campos dos Goytacazes, durante o segundo governo de Leonel Brizola.

Comprometido com a soberania nacional, fiel aos valores da proteção ao trabalho, profeta da educação como instrumento de construção da justiça social, pensador instigante, defensor dos povos originais, intelectual engajado, romancista premiado, homem da aldeia, do Brasil e do mundo, Darcy foi a prova viva de que não se luta porque a vitória é certa, mas porque a causa é justa.

Precisamos estar atentos e atuantes. Defender o legado de Darcy, neste momento, é lutar para que os estudantes da rede pública não sejam prejudicados nos exames do ENEM, já que a preparação para o concurso está fortemente comprometida em virtude das medidas necessárias de isolamento durante a pandemia.

Não se luta no presente ou se constrói futuro sem as referências e exemplos do passado. Nós somos o país de Darcy Ribeiro, e não podemos permitir que rancorosos medíocres e vingativos apaguem toda a trajetória de lutas de brasileiras e brasileiros comprometidos com a justiça social, a educação e a soberania. Que Darcy seja uma bandeira!

CHICO D'ÂNGELO Contra tempos do horror, Darcy Ribeiro!

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