Corte de gastos e febre amarela

A febre amarela é um assunto que há tempos não sai da pauta diária nos noticiários do país, especialmente nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje (02/02), além das informações sobre a precariedade de atendimento nos locais de vacinação, ganhou destaque uma matéria publicada na Folha, cuja manchete denuncia que houve corte de gastos em ações de combate a mosquitos pelos tucanos Geraldo Alckmin e João Dória.

Segundo o site, em relação às despesas com vigilância em saúde no Governo do Estado de São Paulo, em 2016, dos R$181 milhões de reais previstos, foram gastos apenas R$163 milhões. Em 2017, da previsão de R$191 milhões, o gasto foi de apenas R$138 milhões. Quanto à gestão de Dória, em relação ao ano passado, dos R$143 milhões previstos, pouco mais da metade foi gasta (R$78 milhões).

De acordo com o boletim epidemiológico de febre amarela da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, publicado em 29 de janeiro, desde janeiro de 2017 foram confirmados 165 novos casos de contágio da doença, sendo 132 autóctones e 31 importados. Dos casos autóctones, ou seja, quando a doença é adquirida na zona de residência do enfermo, 50 pessoas chegaram a falecer. Não é por acaso que a população encontra-se apavorada e há superlotação nos postos de vacinação para adquirir as doses fracionadas contra a febre amarela. Estamos falando sobre um risco real de padecimento.

As reduções em vigilância e saúde implicam no sucateamento de ações como a organização de campanhas de vacinação, a aplicação de inseticidas e o controle dos focos de proliferação. Apesar de o alastramento de mosquitos vetores de doenças como a febre amarela, chikungunya, zika e dengue ocorrerem nas épocas mais quentes do ano, o combate deve ser realizado o ano todo. Nesse caso, é impossível não pensar que o cenário de caos vivido por cidades como Mairiporã e Atibaia possa ter relação com o corte de gastos nas ações de combate aos mosquitos.

É claro que é fundamental que nós, cidadãos, devemos estar alertas e agir no sentido de evitar o acúmulo de água parada dentro de nossas casas para combater a proliferação de mosquitos vetoresEntretanto, as ações preventivas e combativas, estruturadas em larga escala e de longo prazo contra doenças como a febre amarela, são questões de saúde pública. Isso significa que é dever do Estado promovê-las e custeá-las. Sendo a decisão sobre onde gastar o dinheiro público, uma escolha política, é possível dizer que os governos Alckmin e Dória foram negligentes com a saúde da população. Não teria sido menos caótico e oneroso prevenir do que remediar?

 

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