Crivella busca votos ao censurar Bienal no Rio

A recente polêmica na bienal do livro acontece porque o prefeito do Rio de Janeiro já está em campanha eleitoral.

Recentemente, ele fez com que dezenas de escolas abrissem aos sábados na zona oeste na cidade, cada uma delas obrigada a receber até determinado número de alunos na parte da manhã.

O prefeito argumenta que muitas daquelas crianças não podem ficar sem o almoço proporcionado pelas escolas. Justo.

Também está retirando grana das escolas de samba e da organização de blocos carnavalescos. O dinheiro que a prefeitura coloca na festa é pequeno, embora possa fazer muita diferença para os blocos e foliões.

O motivo real de Crivella é atender a veia liberal de setores do eleitorado, que pensam que dinheiro público não deveria ser usado em carnavais.

Agora, o ex-bispo da Universal gravou um vídeo dizendo que ia recolher, censurar etc. uma HQ que mostrava personagens em um beijo gay. Ora, a Igreja Universal é uma das menos moralistas do país. Tão liberal que costuma defender até mesmo o aborto. Por que, de repente, Crivella resolveu censurar uma revista em quadrinhos na bienal da Barra da Tijuca?

Porque ele quer votos. Talvez não os consiga, tão queimado está com a população. Mas o prefeito sabe muito bem que o escândalos em certos nichos da cidade é visto com sinal invertido pela maioria esmagadora dos cariocas.

A Zona Sul, a classe média cosmopolita, o beatiful people não tem os mesmos padrões de valores do morador da zona norte suburbana, da zona oeste pobre. Para o carioca veiculado nos programas da Rede Globo, a maioria dos cariocas é bárbara, selvagem, ”atrasada”. O que quer dizer que não nos comportamos da mesma forma que os londrinos, nova-iorquinos e parisienses.

Claro que a tentativa de censura de uma HQ é uma medida tosca, incapaz de preservar ou defender valor ou costume nenhum. Mas Crivella não é tão burro assim. Ele não está mirando na eficácia da medida. Mas em sua repercussão.

Ele é muito mais esperto do que grande parte da esquerda que cai em pilhas como essa, que nada mais são do que a reedição da polêmica em torno do museu queer.

Por: André Luiz Dos Reis.

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