Muita gente sem casa, muita casa sem gente

Neste dia do trabalhador, luto e uma tragédia anunciada.

De um lado: a função social da propriedade prevista na Constituição, na prática, não funciona. O que se tem são muitos imóveis vazios e subutilizados, especialmente na região central. Boa parte deles tem, inclusive, grandes dívidas com a Prefeitura e, mesmo assim, sua possível transferência para o município encontra enormes dificuldades para se concretizar.

Do outro: trabalhadores desempregados, famílias inteiras dependentes do subemprego, do trabalho informal que, por necessidade, se alojam em ocupações, favelas, prédios “abandonados” em condições precárias, assim como sua condição de trabalho.

Neste 1º de maio é válido lembrar de cada incêndio criminoso em favelas, sem respostas. É válido lembrar que a luta por moradia no centro de São Paulo para trabalhadores é marco histórico na cidade. Cidade mais rica do país, que é ao mesmo tempo a capital das desigualdades, das políticas de enxotamento da população pobre e trabalhadora.

Neste 1º de maio é válido lutar pela urgência de se pensar uma política pública séria, que dê conta da complexidade das questões fundiária e urbana de São Paulo. É necessário que o governo do Estado e a Prefeitura apresentem uma política habitacional e urbana para o centro da cidade, e não apenas mais programa para atender a especulação imobiliária.

Neste 1º de maio, que nosso luto pelas 150 famílias moradoras do Edifício do Largo do Paissandu, se transforme em uma luta contra tragédias anunciadas como esta.

Luta contra às desigualdades. Luta pelo direito à moradia digna para todos os trabalhadores.

Prédio que desabou no Largo do Paissandu
Prédio ocupado por movimentos de moradia que desabou no centro de SP | Foto por Javam Ferreira Alves

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