GUSTAVO CASTAÑON: Diante do fascismo, desesperar jamais!

É preciso distinguir o fascismo como política de governo e o fascismo como método.

Este governo que está aí é claramente fascista no seu método de fazer política, mas não no seu programa de governo.

O fascismo como método se caracteriza entre outras coisas por repetições infinitas de mentiras simples, a eleição de bodes expiatórios, o ataque à imprensa e à academia e o apelo a mitos irracionais fundados nas crenças profundas dos extratos mais ignorantes da população.

O fascismo como forma de governo se caracteriza entre outras coisas pelo Estado policial, a transformação da discordância política em crime, o aumento do poder econômico do Estado com o resgate de sua soberania econômica e planejamento central de políticas industriais e grandes obras de infraestrutura, voltando o crescimento econômico para favorecer a acumulação de capital e a concentração de renda.

Estamos assistindo hoje, portanto, no Brasil, um fascismo capenga, mas não menos perigoso.

Eles tem diante deles uma máquina inédita de contato direto com sua base e difusão incessante de mentiras: a internet e as redes sociais, aprimorando seu método político.

Não é que nenhuma denúncia funcione com eles, mas que não as repetimos indefinidamente todos os dias como eles repetem suas mentiras.

O fascismo funciona com o princípio mais simples e eficiente tanto para a memória quanto para a persuasão humana: simplicidade e repetição.

E eles encontraram o instrumento político para o qual nasceram.

Mas tem um porém. O fascismo atual não é o original, é um simulacro. Não estamos, ainda, num completo Estado policial e ele não é uma reação ao liberalismo, mas a utilização dos métodos políticos fascistas para a execução do programa liberal mais radical da história e do mais devastador saque colonialista que já assistimos.

O fascismo ascendeu ao poder com base em suas mentiras simples e psicóticas, mas se manteve por força de seus resultados econômicos e repressão de Estado.

Aqui não terão os resultados econômicos e, com sorte, não terão também a repressão total.

Não acredito na pesquisa da CNI. Mas ela é um sinal de alerta.

Da última vez que o fascismo ascendeu no mundo precisou uma guerra mundial para tirá-lo do poder.

Ninguém sabe como será agora. Estamos em terreno inexplorado.

O que tenho certeza é que não basta esperar o fracasso econômico, ele virá acompanhado de outras mentiras sem fim.

Temos que aprender a trabalhar na rede com a máxima força que conseguirmos, disso não tenho dúvidas.

Desmentidos de ocasião não funcionam, eles repetem as mentiras deles sem interrupção.

Eu tenho alguns palpites de como devemos agir:

1) Metacomunicar: explicar o método deles o tempo todo, mais até que o desmentido da vez;

2) Repetir incansavelmente umas dez verdades que mais o atingem da forma mais simples possível por todos os meios possíveis;

3) Fugir da associação com radicais antidemocráticos que possam justificar o radicalismo deles, principalmente os posmods que só querem saber de seus interesses pessoais e querem colocar o Estado para reprimir os valores populares.

Mas tudo isso deverá ser feito de forma científica na rede e isso requer responsabilidade dos líderes de esquerda que continuam na forma de se fazer política do século XX sem reconhecer a obrigação moral que se impõe para eles de dispender os poucos recursos que nossos partidos tem para aprender a usar o instrumento político que, hoje, permitiu a ascensão ao poder daqueles que ameaçam sua própria existência física.

A hora de começar já passou.

E muito.

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