JONES MANOEL: Sobre a negação do direito de resposta pelo The Intercept Brazil (TIB)

Bem, escrevo essa nota pública para deixar bem claro que o TIB me negou direito de resposta. Mas, para evitar mentiras, é necessário tratar das coisas em detalhes. Assim que o escrito anticomunista e calunioso saiu, Samuel, ao ir reclamar com uma das autoras, a Tatiana, recebeu o convite para escrever um artigo de resposta no espaço para “tretas da esquerda” do TIB. Em seguida, Samuel me convidou para escrever com ele, dado que meu nome, com destaque, foi caluniado. De pronto, aceitei o convite de Samuel, mas deixei claro que isso não era meu direito de resposta e muito menos retratação.

Na troca de Emails envolvendo eu, Demori, Tatiana Dias e Samuel, deixei claro desde o início que o possível escrito com Samuel não era meu direito de resposta. Nessa troca de mensagens eletrônicas, a jornalista Tatiana Dias mostrou um comportamento que nem a pena machadiana conseguiria produzir nos seus romances realistas. Foi afirmado a todo momento que ou acontecia a nota de retratação ou a coluna escrita com Samuel. Tatiana quis sugerir até o título da coluna (“O que faz a direita crescer é a esquerda ceder”), e afirmou que o escrito passaria por um processo de edição para evitar “linguagem acadêmica” e “palavras difíceis” (trecho: “E os artigos de opinião passam pelo mesmo processo de edição dos outros”) e por fim, afirmou que se paga 600 reais pelo artigo, se publicado (não quero nem entrar no mérito do que me pareceu destacar o valor pago pelo artigo…)

Nesse meio tempo, Leandro Demori, editor executivo do TIB, passou 48h seguidas no seu Twitter debochando, sendo grosso, bloqueando pessoas e tripudiando da esquerda radical do país. O sujeito me soltou várias e várias provocações esperando uma reação agressiva para ter um material para usar. Ele foi questionado publicamente e com um cinismo ímpar, falou de direito de resposta nos termos da lei, sugeriu processo e afins. A própria Tatiana afirmou que o direito de resposta seria, no máximo, de algumas linhas acima da matéria. E só. Ainda, no estilo dos personagens machadianos, perguntou se tinha um erro factual no que ele escreveu na matéria que daria o direito legal de resposta. Minha resposta, no Email, foi essa (elemento que no Email seguinte, ela não comentou mais):

“Destacaram o trecho de um twitte onde eu falo que numa revolução pessoas morrem, é uma contingência (um simples truísmo histórico), mas excluíram, é claro, a afirmação seguinte onde eu digo que os bolcheviques não venceram a guerra civil com flores. A frase seguinte, especialmente considerando que todo mundo sabe que não foram os bolcheviques que começaram a guerra, deixa claro o contexto da frase anterior. A seleção de que trecho destacar diz muito. Segundo, em seguida ao postar minha frase, vocês escreveram isso: ” Fuzilar uma família aqui, matar outros tantos milhões de fome ali, torturar e assassinar indiscriminadamente e promover o terror entre os dissidentes. Assim mesmo. É normal, efeito colateral”. Deixam o leitor pensando que eu defendo e falo isso. Estou falando aqui com jornalistas profissionais e não com crianças. Você, Tatiana, sabe que poderia ter escrito a frase diferente para não parecer que eu defendo isso. Caso você tivesse escrito “Será que dentro dessa contingência cabe fuzilar uma família aqui, matar outros tantos milhões… Jones defende isso?” Pronto. Eu não estaria reclamando. Não tem caráter de pergunta, questionamento, mas de afirmação. E como se a afirmação fosse minha.”

Durante toda conversa, entre a arrogância e deboche do Demori, ficava claro que o TIB estava adorando toda aquela zorra como forma de gerar mais publicidade, visualizações, dinheiro, comentários. Ontem, no Google, ao colocar meu nome, a primeira coisa que aparece é o panfleto anticomunista do TIB.

Destaco também a postura de insinuar o tempo todo que se eu não estava contente com o encaminhamento da questão, que procurasse a justiça. Postura lamentável ao recomendar em um cenário de extrema-direita no governo que um comunista pobre entre com um processo contra um dos maiores sites jornalísticos no país pedindo direito de resposta por ter sido chamado de genocida em potencial.

Dito isso, só aceito escrever para o TIB se for reconhecido minha necessidade de direito de resposta. Não vou tratar como uma simples coluna normal ao naturalizar esse modo de agir quase macarthista. Escreverei um direito de resposta, atrelado à legislação brasileira que regula tal questão, e enviarei, caso não publicado, amigos já afirmaram que ficam responsáveis por resolver judicialmente a questão.

Para concluir, fazendo justiça, algumas pessoas que trabalham no TIB vieram falar comigo, prestar solidariedade e interceder junto ao caso. Agradeço aos que defenderam um dos pilares básicos da ética jornalista.

Encerro dizendo: a ilusão de certos liberais de salvar-se do neofascismo entregando a cabeça dos comunistas é, dentre outras coisas, engraçada. No fim, não se preocupem, não esperamos nada diferente de vocês.

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