Doria anuncia quarentena que exclui telemarketing e categoria protesta

João Doria, governador de São Paulo, anunciou neste sábado (21) uma quarentena obrigatória de 15 dias para todo Estado, com início a partir da próxima terça-feira (24) e fim em 7 de abril, podendo ser renovada se necessário.

Tal medida determina o fechamento do comércio e de serviços não essenciais. Nesse sentido, continuarão a funcionar os serviços de saúde, abastecimento, transporte público, alimentação, segurança, limpeza, bancos e lotéricas.

Em seu pronunciamento, o governador afirmou que os serviços de telemarketing e de call center não serão atingidos pela quarentena. Justificou que “esses setores serão muito demandados daqui para a frente”.

Em resposta, trabalhadores da categoria elaboraram uma petição online exigindo a suspensão desses serviços enquanto durar o surto do Covid-19:

“Pedimos a suspensão temporária do serviço de telemarketing durante o surto do COVID-19. Nós, operadores de telemarketing de diversos segmentos trabalhamos todos juntos um do lado do outro em um ambiente pequeno com pouca ventilação e MUITA GENTE. É completamente inadmissível se colocar em risco e arriscar os outros pois já há casos confirmados em várias empresas. Dentro das operações possui muitos idosos, grávidas e os médicos não afastam. Pedimos inclusão na quarentena, PELA NOSSA SAÚDE!!!!”.

Na última semana, funcionários de diversas empresas do setor já denunciavam as condições de trabalho nos postos de atendimento. Dentre as reclamações mais comuns, a concentração de centenas de pessoas em um ambiente completamente fechado e a falta de sabonete em banheiros e de álcool gel, seja para higiene pessoal ou para limpeza dos materiais como teclado, mouse e headset.

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Na mesma entrevista coletiva, Doria criticou o presidente Jair Bolsonaro. Sem citar nomes, afirmou que algumas pessoas têm minimizado o “tamanho do problema, dizendo que é uma gripezinha”.

Isso porque, na contramão da postura adotada pelos chefes de Estado mundo afora, Bolsonaro investe em discursos que apenas demonstram sua incompetência para lidar com uma crise global. Além de chamar a Covid-19 de “gripezinha”, insiste que a preocupação com a pandemia é “histeria” e que quem alarma a população quer paralisar a economia para acabar com seu governo.

Ao invés de convocar um pacto nacional e, em conjunto com os governos estaduais, construir soluções para a epidemia, na queda de braço entre o presidente e os governadores, Bolsonaro repete publicamente críticas aos que radicalizam nas medidas restritivas para contenção do avanço do coronavírus, principalmente João Doria e Wilson Witzel, governadores dos estados que somam o maior número de mortos infectados pelo coronavírus.

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