GUSTAVO CASTAÑON: Eles estão de volta

Eles voltaram, e querem tocar fogo nas ruas. Sabe quem são eles? Não. Pois é, eu também não sei.

Eles são anônimos. Como aconteceu no ano que marcou o início da derrocada do Brasil, 2013, um grupo sem pauta política clara tenta sequestrar o comando das convocações de manifestações de rua e ditar o ritmo da vida política do país. Agora, para completar o cenário protofascista antipolítica de 2013 só faltam os black blocs. Não tenham dúvidas, eles vão aparecer de novo, ainda mais porque, agora, todos estarão mascarados mesmo.

O Anonymous se vende como uma rede de cyberativistas desestruturada e descentralizada que opera sem comando e sem diretrizes ideológicas, focados em metas momentâneas. Mas, como o próprio nome diz, não sabemos quem eles são. Sabemos que fazem o que querem e bem entendem numa rede que é, totalmente, controlada pelos EUA e que é organizada por mainframes no Pentágono. E nada acontece com eles.

O que há de comum entre o Anonymous e os black blocs é a ausência de identidade em regimes democráticos. Ausência de identidade civil e ideológica. E esconder identidade numa ditadura é obrigação de qualquer democrata, mas esconder identidade numa democracia é coisa de quem atenta contra o Estado de Direito.

A base de pessoas que é influenciada por esse grupo é extremamente jovem e ingênua, gente que aceita seguir quem não sabe sequer quem é, o que pensa ou quer. Basicamente são garotos e garotas que acreditam que a vida é um filme de Hollywood e eles são os revolucionários do Alan Moore (“V de Vingança”), organizando a revolução através dos brinquedos da NSA.

Só que nesse momento o Anonymous vem colocar fogo num imenso contingente social que não aguenta mais ser oprimido pelas polícias militares, pela morte por COVID, por um desemprego desesperador e galopante enquanto ainda é humilhado e ameaçado diariamente por Bolsonaro em seu direito de existir e defender seus interesses pela democracia.

A essa terrível impotência, se somam os agitadores de sempre, de uma esquerda patética e carcomida que fica repetindo slogans vazios como “fascismo não se debate, se esmaga”. Repetem isso como se tivessem o comando das divisões do Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial prontas para passar por cima do Exército, PMs e Guarda Nacional, hoje sob o comando do Mussolini da Barra da Tijuca.

Num regime democrático a resposta ao fascismo tem que ser legal e democrática. Essa resposta está sendo dada. STF, TSE, Congresso, Mídia, Governadores e Partidos estão progressivamente cercando o sociopata genocida e sua base de apoio popular se reduziu aos 25%.

Quando a ordem democrática foi concretamente ameaçada, com parte de uma Polícia Militar trocando as fardas por máscaras e fechando comércio e escolas, ela foi enfrentada na sua linguagem. Cid Gomes liberou a entrada de um quartel com uma retroescavadeira. Com isso, barrou um golpe das PMs em andamento no Brasil. Hoje, todos estes criminosos estão expulsos da Polícia do Ceará. Quem acha que esse foi um golpe midiático, deve pedir a chapa de seu tórax para ver a imagem das duas balas alojadas no seu peito. Hoje, se houver quebra da ordem democrática de novo, é assim que devemos reagir novamente.

Essa hora, provavelmente vai chegar.

Mas enquanto temos ordem democrática, devemos reagir democraticamente, mesmo porque senão perdemos a força moral.

E certamente, não podemos ser pautados por mascarados.

A democracia tem seus tempos. Eu sei que as pessoas estão desesperadas, não sei se é possível reverter o caos anunciado das ruas, o que sei é que temos que tentar alertar que vocês, que forem às ruas, serão usados.

E o “detalhe” em tudo isso é que estamos diante da pior pandemia desde a peste negra, e todos aqueles que forem às ruas estão expondo não só suas vidas, mas as dos outros. Isso pode provocar um novo colapso do sistema de saúde em quinze dias.

Quem for às ruas não está expondo somente suas vidas, mas as dos outros.

Um erro comum, da esquerda à direita brasileira, é acreditar que o interesse primário dos EUA no Brasil é o de que sejamos alinhados geopoliticamente a eles, ou, ainda, um pouco mais sofisticadamente, que nossas riquezas sejam abocanhadas por eles. Mas esses são interesses secundários. A meta primária dos EUA aqui é a destruição completa de nosso Estado-nação, de preferência, com sua divisão territorial e transformação numa fazenda sem fim, exterminando de uma vez por todas a possibilidade de consumirmos nossas riquezas minerais e nos tornarmos um outro polo de poder nas Américas.

Mas é claro, conflagrar o país e deixá-lo com 10% de PIB a menos, no meio de uma pandemia, com sua democracia destruída na mão de um sociopata incompetente e cachorro dos EUA, não é nada mal.

Não me parece razoável achar mera coincidência que os Anonymous reapareçam no momento em que tudo o que Bolsonaro precisa para se manter e comprometer os militares com ele é de caos social. Liberando cartões de crédito e apresentando denúncias sem provas eles se comportam somente como criminosos inflamando a rede e vitimizando o governo, legitimando o “apelo à ordem”.

Os perseguidos mensageiros da luz contra os mascarados criminosos terroristas e depredadores que instalaram o caos no meio de uma pandemia.

O que mais Bolsonaro poderia pedir agora?

Voltar para as ruas agora é tudo pelo que Bolsonaro lutou incansavelmente desde o início da pandemia. Vai legitimar seu comportamento e o de seus apoiadores por todo esse tempo. Ele sabe que está acabado na pauta da saúde pública e que destruiu a economia brasileira. Para se legitimar precisa desesperadamente de ruas conflagradas. Não só para desviar a atenção do apocalipse, mas também para acionar as PMs estaduais para reprimir os manifestantes e tocar fogo no país.

Para ele, é a única oportunidade de dar um golpe e se livrar da cadeia futura.

2013 voltou.

Não coloque o mesmo filme para passar.

Não acredite em carta anônima.

Não acredite em máscaras.

Não ceda ao ódio.

Não vá para as ruas sofrer violência e armações das polícias de Bolsonaro.

Quando houver violência contra a ordem institucional reagiremos com violência. Nas ruas, com quem quiser, com o que der, para o que der e vier.

Enquanto houver democracia, é por ela, e através dela, que devemos lutar.

GUSTAVO CASTAÑON Eles estão de volta anonymous junho de 2013

7 Comentários

  • uma hora nós estamos no facismo do século XXI, quando convém ao argumento estamos numa democracia? jura?! se quem escreveu esse artigo acha que é sussa compartilhar informações secretas de políticos, empresas e poderosos e não esconder a identidade precisa assistir citizenfour… saber quem é chelsea manning e etc.
    o cidadão que acha que todos estamos numa democracia portanto você não vai ser perseguido por expor certas informações “confidenciais” sofre de uma preguiça mental de proporções galáticas…
    “num regime democrático a resposta ao fascismo tem que ser legal e democrática”, o cara me escreve… a pessoa que escreveu isso sofre uma falta evidente de lições de história.

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  • Amigo Gustavo,
    O caos é lindo. Devemos sempre acreditar que do caos vem a maré mansa… pro caos voltar. “Ele sabe que está acabado na pauta da saúde pública e que destruiu a economia brasileira.” voce realmente acredita nisso? Vc acertou ao chama-lo de sociopata, mas errou ao afirmar aquilo. Sociopatas não tem empatia e não enxergam longe do umbigo… ele tambem quer o caos. Deixe os anonimos fluir no meio desse caos cibernético pois são os únicos que podem fazer frente as fake news da milicia digital… li a pouco que Weintreub pode pedir demissão… saberemos 6a feira. Pipoca guardada, wifi funcionando em 4G (rola uma fake news ai que 5G causou covid-19), assistindo ao imperialismo americano desabar.
    Abraços

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  • Rafael que disse logo acima, quer história mais rescente que 2013 que conflagrou o golpe, do golpe, do golpe da manipulação, com ajuda da propaganda, meu filho isso é guerra híbrida, o texto descreve veemente que “criar um inimigo, te da oportunidade pra ganhar legitimidade” ainda mais um inimigo sem rosto. A quem interessa a escalada de tensão ? seria apenas uma desculpa perante ao caos social para refazer a ordem social a força, uma escalada de golpe.

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  • “A democracia está funcionando” – ah, como soa tão real na classe média que tem o que comer e beber bem todos os dias, na classe média que não sofre discriminação nem risco de ser morta pelo estado democrático por confundir guarda-chuva com arma de fogo.

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