O envenenamento da política cobra seu preço

Diz o ditado popular que o tempo é o senhor da razão. De fato, isso é constatado diuturnamente na vida prosaica e principalmente na política, onde os acontecimentos escancaram, cedo ou tarde, o ardiloso processo de disputa de poder.

Não faz muito tempo que a associação do monopólio midiático liderada pelos herdeiros de Roberto Marinho, juntamente com os barões da Avenida Paulista, de São Paulo, em conluio com a partidarização de parcelas do poder judiciário, encampou uma violentíssima campanha contra a política e contra as forças progressistas.

Vítimas úteis dentre a soberba demasiada, parte dos setores progressistas embarcaram no velho e conveniente discurso do moralismo cínico e embusteiro que as classes dominantes sempre utilizaram para desestabilizar governos com os quais não os representavam.

Campanha esta que tinha objetivada derrubada das forças progressistas do poder, a criminalização da política, a entrega do Pré-Sal à metrópole colonizadora (EUA), e eleger o seu escolhido para comandar o Brasil.

Tudo alinhado, combinado e executado quase na perfeição, porém o candidato preferencial desse acordão continha plumagem, bicos grandes, afabilidade com os sócios da empreitada, mas faltou votos, ou seja, não combinaram com os russos.

Automaticamente as elites da rapina, sem opção, tiveram que apoiar o capitalizador da marginalização da política, pois Bolsonaro foi o que melhor vestiu a fantasia antissistema, antipolítica e assim se elegeu com apoio lavajatista, das elites endinheiradas, e do monopólio midiático.

A questão é que Bolsonaro jamais frequentou este clube. Nunca foi cogitado como pertencente dos ciclos fechados do poder, e agora com a caneta na mão e subserviente dos interesses de Washington, com Trump apoiando, e de parte da população catequisada contra a política e o sistema, desafia o grande acordão.

Oras muitos que se sentem ameaçados, ultrajados ou vilipendiados são cúmplices da eleição de Jair Bolsonaro.

O STF, guardião da constituição, foi um dos algozes mais venenosos da criminalização da política, assim como também foi cúmplice na transformação da Lava Jato em poder político, onde se calou inúmeras vezes, ou simplesmente, ignorou as ações à margem da lei e dos preceitos constitucionais que Sérgio Moro e sua trupe cometeram para o jogo político. Assim como o monopólio midiático liderado pela Rede Globo em sua campanha antipolítica, germinando ódio, repulsa, e desestabilizado a democracia. Onde estava o jornalismo da Globo em noticiar o que era é o que é Bolsonaro?

Não podemos deixar de registrar do mesmo modo as viúvas de Eduardo Cunha, no Congresso Nacional, cúmplices primazes da desestabilização política e sua criminalização.

Agora, verificamos as brigas dos acumpliciados e responsáveis diretos e indiretos pela eleição de Jair Bolsonaro. No momento que o Brasil vive sua maior tragédia humanitária com quase 100 mil mortos por uma pandemia ignorada, onde centenas de empresas estão fechando por falência, onde a democracia e as instituições são atacadas, e onde o povo brasileiro tenta sobreviver.

Entretanto, os cúmplices desta tragédia tentam, agora, vestir a fantasia de democratas e probos da institucionalidade, porém o estrago é irrecuperável.

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