Evo Morales não foi preso e o MAS resiste ao golpe na Bolívia

As primeiras horas do golpe na Bolívia pareciam uma avalanche irresistível da oposição golpista. Carlos Mesa, o neoliberal “moderado” se uniu ao fundamentalista de extrema-direita Luis Fernando Camacho para não aceitar o resultado da eleição de Evo Morales. O apoio externo ao golpe veio com a Organização dos Estados Americanos (OAE) impulsionada pelos EUA. Pela manhã, Evo admitia convocar novas eleições, à tarde os militares o ameaçaram exigindo a renúncia. Diante de ataques às casas e famílias de integrantes de seu partido, o Movimiento Ao Socialismo (MAS), e à sua própria casa, Evo Morales foi coagido a renunciar.

Informações que chegam da Bolívia constam que Evo está protegido em sua base sindical em Chimoré na região de Cochabamba onde surgiu. Ele buscou sair para o asilo político, mas o país está cercado por governos hostis que não deram autorização para utilização do espaço aéreo.

Na região popular de El Alto, base eleitoral do MAS e de Evo, movimentos sociais, sindicais e estudantis organizam resistência e exigem a saída dos golpistas da capital La Paz.

Os deputados do MAS cogitaram renunciar seus mandatos na Assembleia para esvaziar o Poder Legislativo, no entanto, como tem maioria, pretendem resistir institucionalmente. Os golpistas não podem assumir o poder de forma legítima pois não tem maioria parlamentar. O impasse permanece. Os militares derrubaram Evo, e segundo consta, governam na prática com o violento reacionário Camacho. Morales denunciou a conspiração para prendê-lo no Twitter:

O golpe precisa eliminar Evo Morales e sua legitimidade, além de reprimir o MAS. Mantê-lo vivo é a tarefa urgente e imediata da resistência boliviana. A reação internacional é ambígua. Governantes de direita atacam Evo e saúdam o golpe, a esquerda denuncia, mas não há legitimidade para os golpistas que não tem apoio diplomático como tinha Juan Guaidó na Venezuela. Diante do escândalo da possível prisão ou assassinato de Evo, o comandante geral de polícia da Bolívia, Vladimir Yuri Calderón, diz que não há ordem de prisão para o presidente golpeado:

O vácuo de poder não poderá durar. Mas os golpistas muito favorecidos pela geopolítica, tendo em vista o desinteresse da Rússia na Bolívia, não tem legitimidade externa nem interna para assumir o poder legalmente. O embate no parlamento e nas ruas será feroz. Apesar da quase impossibilidade de reversão e da violência irresistível do poder militar, o golpe ainda não é vitorioso na Bolívia.

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