Eleições e a “Rede de Desinformação”: Facebook retira perfis e páginas do ar

Em virtude da liberação de propaganda eleitoral nas redes sociais e web pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, o Facebook está implementando, no Brasil, as mesmas ferramentas de transparência que aplicou nos Estados Unidos. A partir de 31 de julho, os candidatos poderão registrar suas campanhas na plataforma devendo, para tanto, que o conteúdo político siga os padrões pré-estabelecidos (autenticação de dois fatores e envio de documentos).

No último dia 24, Katie Harbath, Diretora Global de Engajamento com Políticos e Governos do Facebook declarou, em evento realizado no Brasil – após ser questionada se a plataforma poderia garantir que um escândalo semelhante ao da Cambridge Analytica (nas eleições norte-americanas) não se repetirá no Brasil-, que a rede social “está fazendo o máximo para impedir que isso aconteça de novo”.

Katie acrescentou que não será papel do Facebook monitorar os anúncios políticos, mas que trabalhará junto aos órgãos reguladores, para tirar do ar conteúdo que não esteja de acordo com a legislação.

É fato que plataforma está enfrentando o tema com uma abordagem bem criteriosa. Na tentativa de definir quais páginas de sua rede social produzem, ou não, informações falsas, o Facebook tem adotado uma postura mais rigorosa, retirando do ar perfis e páginas que tentam ocultar a identidade ou manipular o debate político.

Os efeitos dessas declarações já estão sendo verificados na prática. Ontem, dia 25, o Facebook excluiu de sua plataforma 196 páginas e 87 contas no Brasil, sob a afirmação de se tratar de uma “uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”.

Embora não tenha declarado quais perfis foram afetados, o Movimento Brasil Livre (MBL) já se posicionou, informando que diversos dos seus coordenadores foram impactados. A página Brasil 200 também foi retirada do ar pelo Facebook.

O assunto é muito sensível, não podemos negar. O Facebook é uma empresa privada, norte-americana e que, inegavelmente, interferirá na propaganda eleitoral brasileira feita na Internet. Sob o mando de oscilantes políticas de privacidade, publicidade e anúncio, o Facebook arbitrará acerca do conteúdo dos debates políticos na Internet e, consequentemente, na formação das convicções de grande parte do eleitorado brasileiro.

Esse fator é potencializado dada a recente a notícia de que o percentual de usuários de Internet, no Brasil, cresceu seis pontos percentuais, passando de 61% (2016) para 67% (2017). De acordo com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), em números absolutos, 120,7 milhões de brasileiros acessam a rede, sendo que nas áreas urbanas essa proporção é de 71%. Ainda de acordo com a pesquisa, 87% deles usam a Internet todos os dias ou quase todos os dias.

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