Felipe Neto e Luciano Hang: duas faces do imperialismo

Crivella retirou mais uma vez o véu que esconde o confronto político-partidário no Brasil atual.

Sua jogada em cima de uma HQ encalhada da Marvel fez com que um jovem vlogger, chamado Felipe Neto, declarasse que havia comprado 14 mil livros de temática LGBT para distribuir para a população.

Eu não sabia que Felipe Neto existia. Mas essa sua intervenção bastou para que eu o percebesse como expressão de uma das mais poderosas faces do liberalismo militante, aquela que visa impor à população brasileira, pela força do Estado, os costumes e modos de vida da classe média cosmopolita das grandes metrópoles norte-americanas e europeias.

Apesar de mascarado com o termo ”liberdade”, trata-se de um projeto de engenharia social determinado de cima para baixo:

1) uma elite social ocidentalizada condena a mentalidade e os valores dos mais pobres, que chama de ”atrasados”, em uma atitude tipicamente colonialista e racista. O ”homem universal” do iluminismo é, ”coincidentemente”, aquele gerado pelos modos de existência social dos principais centros capitalistas;

2) Instituições pouco representativas, como o STF e o Judiciário, agem em prol de uma minoria, já que aquelas instâncias de poder que devem satisfações à maioria não podem militar com o vigor que as elites sociais pensam ser necessário [quem se lembra do Ministro Fux dizendo que a Corte Suprema podia descriminalizar o aborto justamente ”porque não devia satisfações a ninguém”?];

3) As grandes multinacionais, que financiam os nichos de consumos que conferem identidades aos cosmopolitas — que, desvinculados das próprias terras, tradições e povos, dependem do mercado global para saberem quem são –, pressionam para que a agência pós-moderna avance e seja ”naturalizada” no debate público;

4) A grande mídia liberal, antenada com a globalização e com o globalismo, e que se trata da voz da elite do dinheiro, divulga os protestos da elite social minoritária mas barulhenta e organizada, dando a impressão que para se considerar ”gente” é necessário concordar com a agenda cosmopolita.

Felipe Neto é, portanto, um representante mainstream do imperialismo. É aquilo que se convencionou chamar de ”esquerda” no debate hegemonizado pelas pautas liberais.

Em resposta ao garoto, o empresário Luciano Hang afirmou no twitter que vai doar 25 mil livros de Olavo de Carvalho, guru da americanofilia, do sionismo e do conservadorismo liberal mais tosco e deprimente que já assaltou parte da elite ressentida desse país.

Dono de uma cadeia de lojas de departamentos que se notabiliza por reproduzir a Estátua da Liberdade, Hang expressa o outro lado da moeda do globalismo, aquele que mobiliza o conservadorismo moral da população para dar suporte à agenda capitalista no campo econômico.

Enquanto Felipe Neto é uma das formiguinhas que agem para tornar a sociedade brasileira espelho do mercado consumidor europeu e norte-americano, Hang age para dar o controle desse mercado às grandes corporações e ao capital.

A conjunção das duas agências enfraquece o Estado no campo social e na capacidade de intervenção econômica, e o fortalecem como ”instrumento” cartesiano de modelação do espaço público segundo os ditames do capitalismo mundial.

Faces da mesma moeda, representantes do mesmo sistema, igualmente apátridas, um é Texas e o outro é Los Angeles, ambos são armas de subordinação e dependência do Brasil.

Como dizia Leonel Brizola em relação ao PSDB e PT, são duas instâncias políticas que se acotovelam para ver quem torna o Brasil mais dependente e atrelado aos poderes econômicos do sistema financeiro mundial.

Luciano Hang e Felipe Neto representam meus inimigos políticos: o atlantismo geopolítico, que pretende tornar o mundo um grande campo de exploração financista e unipolar.

Por André Luiz dos Reis.

3 Comentários

  • esse texto é mais uma pista de várias que ciro vai perder de novo e terminar como brizola e marina… dá as mãos para o centrão, pelo menos nunca vi ciro criticar partidos desse espectro político, e faz chover críticas ao maior partido de esquerda da america latina o responsabilizando por tudas as mazelas a partir do golpe institucional que dilma foi vítima… é como culpar a menina que sair de mini saia pelo estupro que recebeu.

    4

    0

  • Eu ha tinha lido muita bobagem dessa criatura que escreveu esse texto, aqui nesse site. Mas acho que dessa cez ele foi o mais canhestro que se pode chegar.

    Agora respeitar os direitos e a vida de lgbt é imperialismo liberal… acho ótimo que continue escrevendo tosqueiras assim pra defender o coronel abilolado. Reduz drasticamente as chances dele incomodar.

    4

    0

Deixe uma resposta