Boulos é tiro no pé; França é o tiro certeiro

A eleição para a prefeitura de São Paulo está entrando em seu momento mais decisivo e a surpresa dessa reta final é o deplorável comportamento da campanha de Guilherme Boulos. Tanto a campanha de Boulos nas redes sociais, quanto alguns dos caciques do PSOL resolveram centrar fogo em Márcio França, o candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB), deixando de lado a violenta direita paulistana.

Até aí tudo certo, é parte do jogo, não fosse um dado alarmante: os dois primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto não são candidatos progressistas, mas dois perigosos candidatos de direita: Covas, pelo PSDB – patrocinado por João Dória, e Celso Russomano pelo Republicanos – o candidato de Bolsonaro. Tudo isso numa conjuntura onde o governo federal está nas mãos de milicianos fascistas e o governo do Estado ocupado por um marqueteiro fraudulento.

Que Boulos e o PSOL pensem ser a verdadeira e “pura” esquerda, não é nenhuma novidade. O fato novo fica por conta da agressividade com que o candidato psolista tem tentado destruir a imagem de França.

Recorrendo a expedientes grosseiros como liminares na Justiça, desqualificação de pesquisas, fakenews disseminadas durante debates e disparos em massa, a campanha de Boulos replica privadamente estratégias publicamente condenadas pelo PSOL.

Aqui cabe uma ressalva: seria muito injusto reduzir o PSOL a Boulos. Basta comparar alguns quadros extraordinários do partido, como Nildo Ouriques ou Plínio de Arruda Sampaio Jr. ao atual candidato e o contraste salta aos olhos. Mas o fato é que esse tipo de conduta só reforça as críticas levantadas contra Guilherme Boulos a partir de seus próprios companheiros de partido, que denunciaram manobras antidemocráticas realizadas pelo staff de Boulos por ocasião da disputa interna do PSOL na definição de seu candidato à Presidência da República em 2018, o que lhe rendeu o apelido de “Lula do PSOL”, um defensor do “lulismo” nas fileiras psolistas.

À época, Boulos, que se filiou às pressas ao partido, garantiu sua indicação como candidato manobrando para evitar prévias com o voto direto dos filiados.

Coincidentemente dois anos depois, vazou a notícia de que Boulos havia se oferecido a Lula para ser o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, mesmo sabendo que o Partido dos Trabalhadores encaminhava prévias para a escolha de seu representante no pleito.

Em 2020 não foi diferente: nesse último processo de definição da candidatura à prefeito, Boulos voltou a agir com viés autoritário tentando de todas as formas repelir a pré-candidatura de Sâmia Bomfim.

Com um histórico assim, não é de admirar que a campanha de Boulos parta para agressões contra candidaturas do campo da esquerda democrática, mesmo sabendo que a direita lidera as pesquisas. A luta de Boulos, aparentemente, não é uma luta por emancipação mas por posição.

Nas últimas semanas, Ivan Valente, um dos mais respeitados parlamentares do PSOL (e para quem, no passado, já indiquei votos) simplesmente começou a postar diariamente em suas redes sociais contra França. A principal acusação? Márcio França foi vice governador de Geraldo Alckmin, portanto, é tão tucano quanto seu antigo companheiro de chapa (…). Acontece que a vice de Boulos, Luiza Erundina, não somente foi membro do mesmo partido de França (PSB) por mais de uma década, como concorreu à prefeitura de São Paulo em 2004 compondo chapa nada mais nada menos do que com Michel Temer.

Isso desmerece Erundina? A torna “tão golpista” quanto Temer? De jeito nenhum! Isso só explicita o falso moralismo e a infantilidade dessa banda do PSOL.

Chamando Márcio França de representante da direita, o PSOL de São Paulo segue os passos de seu irmão siamês: o famoso PT paulista. Para tanto, estabelece uma métrica “purista” que não pode aplicar a si mesmo. Isso porque tal critério se aplicado, por exemplo, aos posicionamentos de Luciana Genro (a candidata à Presidência pelo partido em 2014), poderia muito bem classificar a fã da Lava-Jato como uma exímia representante da extrema direita, não poderia?

Semana passada, Boulos sentou-se com empresários e declarou em alto e bom som: “eu não demonizo a iniciativa privada”. Seria essa a sua “Carta ao Povo Brasileiro”?

O nome dessa patacoada? Hipocrisia.

Entretanto, não são essas razões que tornam Boulos um tiro no pé. Elas apenas explicam o movimento brusco e ofensivo contra candidaturas do campo progressista. O cálculo para perceber que Boulos é um tiro no pé é simples: é um cálculo político, muito mais do que matemático.

Uma eleição é sempre um choque de estratégias, porque no tabuleiro toda ação resulta em consequências com variáveis desdobramentos. Ao que tudo indica e com base na última pesquisa eleitoral divulgada pelo IBOPE nesta sexta-feira 30/10/2020, os ataques de Boulos a França têm explicação: se não houver tempo hábil para Russomano derreter e Boulos terminar em terceiro, estará plenamente satisfeito porque terá garantido ao lulismo a liderança da esquerda no maior colégio eleitoral do país.

Ao lulismo?

Sim, ao lulismo.

Boulos rifou Tatto antes mesmo do jogo começar. Seus movimentos pré-eleitorais realocaram Lula na cena política paulistana. Em outras palavras, a fome de Boulos juntou-se com a vontade de comer do lulismo.

Desde 2018 a burocracia corrupta do PT, que ajudou a derrubar Dilma por meio da própria inépcia, luta estridentemente para que o partido atravesse a atual crise mantendo a liderança da esquerda. Pouco importa se Bolsonaro ganhará as eleições. Pouco importa se a direita vai governar e destroçar cada palmo de conquista social: importa apenas o frio cálculo da sobrevivência. E eu não errei no texto: nessa eleição, Boulos está a serviço do lulismo, não de São Paulo, não do PSOL, muito menos a serviço da esquerda.

A eleição para a prefeitura de São Paulo está entrando em seu momento mais decisivo e a surpresa dessa reta final é o deplorável comportamento da campanha de Guilherme Boulos. Tanto a campanha de Boulos nas redes sociais, quanto alguns dos caciques do PSOL resolveram centrar fogo em Márcio França, o candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB), deixando de lado a violenta direita paulistana.

Acontece que, como já disse, o cálculo é simples e é político: a esquerda que Boulos representa foi terrivelmente derrotada por Jair Bolsonaro nesse mesmíssimo território há apenas dois anos. Replicar, portanto, a estratégia parece mais do que suicídio: é burrice.

A exemplo de 2018, toda a esquerda já percebeu que Boulos avança sobre parcela histórica do eleitorado petista. Quando Boulos divulga que “cresceu” nas pesquisas, na verdade, todos sabemos: ele inchou. Isso porque seu “crescimento” não é um crescimento para além da bolha de esquerda, muito pelo contrário, Boulos avança sobre um eleitorado tradicionalmente ligado ao PT – aliás, ele avança sobre parcela do eleitorado petista, especificamente sobre aquela parcela de perfil acadêmico, sobre a velha classe média esclarecida, com ensino superior etc.

Em que pese ter lançado sua campanha com casinhas feitas de tijolos baianos ao fundo, até onde os dados mostram, Boulos não avança sobre o antigo “cinturão vermelho”, isto é, a periferia – as bordas paulistanas – capturada em 2018 pelo bolsonarismo, e que até o presente momento, anda de mãos dadas com Russomano.

O “crescimento” de Boulos não passa, portanto, de um ilusório efeito de inchaço. Não será surpresa se o candidato “sanfonar”. A pesquisa de 30/10 deixa claro que seu ritmo já está diminuindo enquanto Tatto avança devagar, mas consistentemente. Aposto pessoalmente que Tatto terminará com dois dígitos ou algo próximo disso (talvez na casa de 9 a 12% dos válidos), o que é um tanto tenebroso para o candidato do PT que já entrou nessa batalha previamente derrotado. Se isso ocorrer, será o gol de honra de Tatto, com o mesmo sabor do gol marcado pelo Brasil depois de ter levado 7 da Alemanha. É uma espécie de gol sem grito.

Até o presente momento, Tatto cumpre religiosamente o seu papel. E cumpre bem, como um altivo militante partidário. Fez de tudo para ser o candidato do PT em 2012. Na época, chegou a cobrar o apoio de Marta Suplicy pelas imensas dívidas que a ex-prefeita têm com seu grupo político, que a sustentou nos momentos de crise, tanto nas bases populares da zona sul quanto no Legislativo. Perdeu para Haddad, o preferido de Lula, em mais uma intervenção direta do “chefão”. Fez de tudo novamente para ser candidato em 2016, mas voltou a ser rejeitado por Lula. Chegou a pleitear a vaga de Senador de Eduardo Suplicy, mas o grupo político de Lula vetou. E agora, em 2020, voltou a ser traído por Lula… demonstrando cabalmente que o PT virou um imenso esqueleto sem vida, ao mesmo tempo em que o PT de São Paulo tornou-se definitivamente um mero puxadinho político do lulismo, bem na sombra da velha mangueira, onde nada pode nascer e crescer.

Se Boulos lucra com isso? Sim, lucra e lacra.

A campanha de Boulos recuperou esteticamente o “sonho perdido”. A proposta de Boulos ao acoplar Erundina como sua vice é clara e objetiva: visa resgatar no imaginário do militante de esquerda os áureos tempos do PT oitentista: Paulo Freire, Marilena Chaui, Florestan, Cortela e toda a turma da década de 1980. A campanha de Boulos é saudosista, e embora tenha sido repaginada com “rap”, páginas coloridas, “memes” e outros instrumentos contemporâneos, o que ela traz é a ideia de um retorno ao passado.

Quando Erundina declara que “os sonhos podem governar”, muito mais do que invocar a utopia, ela sinaliza para a velha guarda enlutada que será possível “refazer o percurso” – e foi esse discurso que Boulos (o Lula do PSOL) cooptou porque lhe cai como uma luva! Ora, se a esquerda quer “refazer” o percurso do Partido dos Trabalhadores, nada mais lógico do que esperar o surgimento de um “Novo Lula”. É para isso que Boulos veio: “o Boulos chegou!” diz o jingle… para quê? Para ser o novo Lula e reiniciar o ciclo… o ciclo da repetição… o ciclo da farsa.

Pelo visto, Erundina esqueceu aquilo que escreveu em 2010, na Revista Teoria e Debate do PT (edição 86):

O PT cumpriu um papel fundamental na construção do ciclo histórico que, hoje, apresenta sinais de esgotamento, porém, não é mais o mesmo. A realidade brasileira coloca novos desafios, não só para o PT, mas para todas as forças de esquerda e do campo democrático-popular.

As forças populares que construíram o PT e elegeram Lula presidente não influenciaram seus governos. Não foram chamadas a participar das decisões estratégicas. Assim, pois, perdemos a oportunidade de iniciar um novo processo político em que a ética pública fosse um pressuposto; e a participação popular, sua marca registrada.

A globalização e a revolução tecnológica impactaram as relações econômicas e a composição social do Brasil. Em razão disso, a sociedade brasileira apresenta, hoje, características diferentes das de trinta anos atrás.

Esse é o ponto: o percurso é irrepetível. Nós não estamos mais em 1980, as condições mudaram radicalmente e é no mínimo ingênuo supor que a direita não tenha assimilado a trajetória do PT. Aliás, 2016 comprova que não somente assimilou como neutralizou.

Todavia, enquanto comemora a “liderança” do campo progressista nas pesquisas eleitorais, Boulos lacra, mas OMITE o principal: ele perde de goleada em todos os cenários de segundo turno.

Repito: perde e de goleada.

Vamos aos números:

Bruno Covas 51% X 26% Guilherme Boulos (branco/nulo: 20%; não sabe: 3%) – diferença de 25 pontos percentuais.

Celso Russomanno 43% X 31% Guilherme Boulos (branco/nulo: 22%; não sabe: 4%) – diferença de 12 pontos percentuais.

Fonte: Pesquisa Ibope, divulgada em 30/10/2020. Margem de erro: 3%.

Ainda segundo o Ibope, Covas não apenas cresceu sobre o eleitorado católico e mais velho (atingindo 33% nesses segmentos), bem como avançou sobre perfis com ensino fundamental (de 20% para 30%) e com renda média familiar de até 1 salário mínimo (18% para 25%), o que sustenta a tese de que parte dos votos perdidos por Russomano migraram para Covas e não para a esquerda.

Entre os evangélicos, Russomano encolheu de 38% para 28%, mas mesmo assim lidera. Russomano ainda mantém liderança no eleitorado com renda média familiar de até 1 salário mínimo (28%), ou seja, Russomano ainda é o preferido dos eleitores evangélicos e mais pobres.

Boulos por sua vez têm seu eleitorado entre os de “outras religiões” (não-católicos e não-evangélicos) com 24%, entre os que possuem ensino superior completo (23%) e com renda média familiar acima de 5 salários mínimos (22%).

De posse dessas informações, faça as contas numa rápida equação política: você realmente acredita que num segundo turno contra Covas, Boulos avançará no eleitorado evangélico? No eleitorado mais idoso? Entre os mais pobres? Se a pesquisa está apontando a tendência de migração desses votos para Covas já no primeiro turno, o que sustenta a ideia de que uma candidatura de esquerda, considerada mais “radical” poderá reverter esse processo? Qual é o sinal? Com base em que podemos afirmar uma “virada” de Boulos?

Eu não sei você, mas tenho muita dificuldade em imaginar as senhoras crentes da periferia, caminhando com suas saias em direção ao colégio eleitoral para votar em Boulos depois do pastor dizer no sermão de domingo que o PSOL é tudo aquilo que a direita pinta. No final das contas, a velha chave da guerra do “bem contra o mal” e de “Deus contra Satã” será ativada pela direita acoplada ao PSDB e o efeito que se levantará como uma onda será o mesmo efeito de 2018: a força política do antipetismo varrerá Boulos como varreu Haddad.

Será que já não assistimos a esse filme? Pelo visto o final é o mesmo!

Na noite em que a pesquisa foi divulgada, o sociólogo Fernando Guimarães Rodrigues, um dos articuladores da Frente ampla em defesa da democracia, publicou em suas redes sociais a seguinte mensagem:

“Márcio França cresceu 57% nessa última semana, vai para o segundo turno e vai ganhar essa eleição. Ele já derrotou o Dória aqui em São Paulo e vai derrotar mais uma vez. Não é hora de lacrar. É hora de responsabilidade no voto progressista”.

No período entre pesquisas, França registrou um crescimento de 57% contra 50% de Tatto, 30% de Boulos e 18% de Covas. Russomano decresceu: -20%. Não é possível afirmar que os votos de Russomano estejam migrando para França, mas é fato que o candidato do PSB está crescendo em todos os segmentos. Seu maior crescimento, contudo, foi registrado entre os eleitores e eleitoras de 45 a 54 anos, passando de 7% para 15%, o que sugere sua capacidade de disputar segmentos mais conservadores com Covas.

Os números de Márcio França (PSB) nas simulações de segundo turno são muito mais promissores do que os números de Boulos:

Bruno Covas 45% X 34% Márcio França (branco/nulo: 17%; não sabe: 4%) – diferença: 11 pontos percentuais.

Márcio França 43% X 34% Celso Russomanno (branco/nulo: 19%; não sabe: 3%) – vitória de França com 9 pontos percentuais.

Ainda a favor de França, há que se mencionar sua vitória contra Dória em São Paulo, isto é, no mesmo território atualmente em disputa há apenas dois anos atrás, França venceu o PSDB de Covas. No primeiro turno, França obteve na cidade 1.229.116 votos, o equivalente a 22,16% dos votos válidos. Não apenas isso: França venceu o primeiro turno em 8 zonas eleitorais: Vila Matilde, Ponte Rasa, Ermelino Matarazzo, Vila Jacuí, São Miguel Paulista, Itaquera, Conjunto José Bonifácio e Parque do Carmo.

Já no segundo turno, Márcio França atingiu 3.393.092 votos na cidade, o que equivale a 58,10% dos votos válidos, contra 41,90% de Dória. Isso significa que depois de muitos anos e muitas eleições, pela primeira vez, um candidato de centro-esquerda ameaçou o reinado tucano no estado de São Paulo. Nem mesmo Aloízio Mercadante (PT), no auge da popularidade de Lula (2010) conseguiu tal feito.

Outro dado a ser considerado é o da chamada rejeição.

Questionados sobre em quem não votariam de jeito nenhum, os eleitores apontaram como mais rejeitados: Celso Russomano com 38%, Joice Hasselmann com 26%, Bruno Covas com 20%, Levy Fidelix com 22% e Guilherme Boulos com 22%. Nesse quesito, Márcio França só é rejeitado por 10%.

Questionando a posição do sociólogo, alguém respondeu ao seu post com ironia, bem ao estilo internauta: “Essa q vai ganha no segundo, primeiro tem q passa do primeiro né rs” (sic).

Percebeu? Esse filme não é novo.

Em 2018 esse foi o grande argumento utilizado pelo lulismo: só vamos apoiar Ciro Gomes se ele passar ao segundo turno, afinal, se Haddad tem mais votos no primeiro turno, tem mais chances de ganhar. Mas assim como na matemática, na política nem sempre o dito revela o não-dito: todos sabíamos que os 29,28% de votos válidos de Fernando Haddad constituíam não um ponto de partida, mas um ponto de chegada. Com todo o esforço, com multidões, marchas de mulheres, protestos por todos os lados, apoios de partidos e ampla campanha antifascista, Haddad atingiu o máximo de 44,87% de válidos no segundo turno, um resultado incrível, mas insuficiente.

Frise-se: insuficiente. E todos nós sabíamos desde o início.

A questão que devemos colocar é: se sabíamos que não haveria maioria suficiente, por que insistir em pelejar contra as evidências? É realmente inteligente estruturar uma estratégia eleitoral, cujo risco de derrota avoluma-se cada vez mais?

Atualizando a questão: repetiremos o erro de 2018?

O governo Bolsonaro é a resposta a essa pergunta.

Para quem argumentava: “passa rápido”, “ninguém solta a mão de ninguém” e “não será tão ruim assim”, a destruição generalizada levada a cabo pelos milicianos esfrega em nossas caras que o preço a ser pago é alto demais. Nenhuma vaidade, nenhuma luta mesquinha por hegemonia, nenhum partidarismo… vale mais do que as milhares de vidas periféricas conscientemente sacrificadas.

Para a classe-média esquerdista da Vila Madalena, os resultados do governo Bolsonaro são amenizados pelas poupanças recheadas, mas e para nós, os que moramos aqui no fundão em Itaquera, Guaianases, São Miguel Paulista? E para a galera de Parelheiros, Grajaú, Brasilândia?

O saldo é a morte.

O discurso da derrota já está pronto e pode até ser muito bonito e emocionante: a São Paulo antifascista resistiu. Mas resistiu como? Entregando de bandeja a vitória eleitoral por conta de estratégias claramente equivocadas? Que raio de resistência é essa que coleciona derrotas coloridas?

Maturidade intelectual é justamente o contrário: precisamos decidir se queremos “lacrar” nas redes ou ganhar eleições para implementar políticas públicas relevantes.

Isso é uma decisão.

Precisamos decidir se queremos realizar “lindas” campanhas eleitorais que são “lindamente” derrotadas pela direita no segundo turno ou se queremos abrir caminhos experimentalistas que nos façam superar o presente estado de coisas. Precisamos, finalmente, decidir se queremos inventar um novo (e mais potente) percurso ou se queremos permanecer presos ao passado.

Não tem jeito! Nesse Brasil devastadoramente desigual, cada eleição decide quantas pessoas viverão e quantas serão deixadas à própria sorte.

Esse ano, ainda mais do que em outras oportunidades, cada voto tem um peso de vida ou morte. Não apenas por causa dos escandalosos números da pandemia, mas sobretudo, porque a cada dia que passa, diante de nossos impasses, o fascismo cresce, condenando o futuro de nossa gente.

De arco e flecha nas mãos, nós, os índios contemporâneos, precisamos decidir se vamos mirar em nossos próprios pés, inviabilizando a caminhada ou se miraremos na testa do fascismo, no coração do colonizador.

Chega de errar o alvo!

A eleição para a prefeitura de São Paulo está entrando em seu momento mais decisivo e a surpresa dessa reta final é o deplorável comportamento da campanha de Guilherme Boulos. Tanto a campanha de Boulos nas redes sociais, quanto alguns dos caciques do PSOL resolveram centrar fogo em Márcio França, o candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB), deixando de lado a violenta direita paulistana.

5 Comentários

Deixe uma resposta