Freixo desiste de ser candidato a prefeito no Rio e o PSOL implode seu maior quadro

Marcelo Freixo, deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, desistiu de sua candidatura a prefeito da capital carioca. Ele avisou seus assessores ontem, e o colega de partido e vereador Tarcísio do Motta confirmou a decisão lamentando e torcendo por uma reconsideração.

A desistência de Freixo se dá porque setores do PSOL, por exemplo o vereador Renato Cinco e deputado federal David Miranda que também querem palanque de candidato a prefeito, são contra a aliança com outros partidos considerados “burgueses”. Freixo queria liderar uma aliança ampla da esquerda com PT, PDT, PSB, PCdoB, e possivelmente até PV e Rede poderiam ser atraídos por uma frente como essa. No entanto, PDT, PSB e PCdoB não pretendiam se aliar ao PSOL, e negociam entre eles em paralelo com suas próprias pré-candidaturas de Martha Rocha (PDT), Alessandro Molon (PSB) e Brizola Neto (PCdoB). Aliás, a desistência de Freixo fortalece uma possível chapa PDT/PSB/PCdoB tanto para chegar ao segundo turno ou até para negociar uma composição com Eduardo Paes do DEM contra Marcelo Crivella.

Somente o PT havia sinalizado um acordo com o PSOL numa possível chapa de Marcelo Freixo com Benedita da Silva como vice. Mas nem mesmo uma “frente” com apenas PSOL/PT é aceita pelos setores mais sectários do partido, e por isso Freixo decidiu desistir da candidatura. O deputado já havia perdido duas eleições a prefeito em 2012 e 2016 para Eduardo Paes e Marcelo Crivella, tendo saído candidato isolado recusando apoios partidários amplos.

No entanto, Marcelo Freixo não é um parlamentar tão sectário como foram suas candidaturas ao executivo municipal carioca e como seus colegas de partido. Como deputado estadual, Freixo obteve importantes vitórias negociando pragmaticamente com setores conservadores. Não era incomum Freixo presidir comissões de seu interesse como a de Direitos Humanos e a CPI das Milícias, que deram notoriedade ao deputado do PSOL. Isso só era possível pela boa relação com os quadros do alto clero da ALERJ, como Jorge Picciani do MDB que presidiu por longos períodos o legislativo estadual. Inclusive é possível encontrar diversos projetos de lei assinados em conjunto por Freixo e o ex-presidente da ALERJ que chegou a ser preso pela Lava-Jato carioca.

Atualmente, o deputado federal também se mostra habilidoso em obter posições de destaque na Câmara presidida por Rodrigo Maia do DEM, que entregou a comissão especial sobre o projeto da lei “anticrime” do então ministro Sérgio Moro para Freixo confrontar as propostas reacionárias do líder do lavajatismo.

Portanto, o pragmatismo de Freixo em suas negociações parlamentares e na sua vontade de governar a segunda maior cidade do país esbarram no sectarismo do PSOL. O deputado federal é um quadro que tem o que oferecer ao país como já mostrou no combate às milícias, no combate ao reacionarismo judicial, e mostra amplitude ao buscar dialogar com forças policiais mesmo em sua histórica luta em defesa dos direitos humanos. Por duas vezes, a estratégia eleitoral sectária do PSOL impediu sua vitória para prefeito no Rio, e ele não parece disposto a uma terceira derrota somente para ajudar o partido a eleger sua bancada de vereadores.

O PSOL é um partido de oposição parlamentar e não pretende disputar os poderes centrais em eleições majoritárias, tendo como objetivo apenas o crescimento em seu nicho de esquerda e não a hegemonia no conjunto da sociedade. Desse modo, o partido implode seu único quadro de repercussão realmente nacional, e o deixa numa posição muito desconfortável como apenas mais um deputado de um pequeno partido sectário. Parece muito pouco para Marcelo Freixo. Ele tem que decidir se vai continuar se submetendo a isso ou vai buscar projetos mais amplos para contribuir em transformações de longo prazo de sua cidade e do Brasil.

Marcelo Freixo, deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, desistiu de sua candidatura a prefeito da capital carioca.

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