Os generais deram um golpe no capitão?

As primeiras reações a saída de Sérgio Moro escancaram um derretimento até aqui nunca visto na base de apoio do presidente Bolsonaro.

Moro saiu atirando forte. De cara já deixou várias acusações no ar que podem resultar em pedidos de CPI no Congresso.

Não vou entrar agora no oportunismo e cálculo político embutidos no pronunciamento do agora ex-ministro. Isso fica para outro texto.

Ponto principal a ser analisado aqui é o movimento das peças no jogo político pelo que todos chamam de núcleo militar do governo.

Antes uma ressalva importante: os militares no Brasil nunca consistiram um bloco monolítico em suas visões e ações políticas. Essa é uma falsa imagem que os de fora da vida militar formam. Muito em razão das características próprias da carreira militar, onde o sujeito se forma na academia de oficiais e convive com seus colegas por toda vida profissional. Diferente da vida civil ali todo mundo, bem o mal, se conhece e um tem que aturar o outro. E a disciplina hierárquica faz parecer uma total unidade de pensamento e ação.

Voltando aos últimos acontecimentos:

1 – o despreparo de Bolsonaro para governar é óbvio para todo mundo e,mais ainda, para os que estão mais próximos dele e não são da seita olavista, caso específico dos militares;

2 – é uma característica da formação dos oficiais militares buscar um mínimo de funcionalidade nas estruturas sob sua gestão (aqui cabe ressaltar que Bolsonaro, por ter sido praticamente expulso do exército, não se enquadra nessa definição);

3 – a crise do covid 19 escancarou a completa falta de preparo de Paulo Guedes e sua total incapacidade de fazer o Brasil superar a recessão econômica, o que pode gerar distúrbios sociais, que seria o pior dos mundos para o núcleo militar;

4 – militares assumem condução prática do governo, com uma intervenção do ministro Braga Netto na proposição de programas de recuperação econômica, à margem do Ministério da Economia;

5 – apesar de sua flagrante falta de condições de liderar o país nessa crise, Bolsonaro possui (ou possuía) considerável base de apoio radical, não sendo conveniente, até agora, deflagrar um processo de derrubada dele, por conta de conflitos que isso certamente iria gerar na sociedade brasileira;

6 – ao demitir Mandetta sem maiores contestações do setor militar do governo (ao menos publicamente) Bolsonaro se sente, ao mesmo tempo, empoderado e acuado pelas investigações abertas que o atingem em cheio;

7 – parte para o confronto com Moro ao demitir diretor geral da PF e recebe uma resposta duríssima do quindim da mídia pseudo moralista que pode ferir de morte seu governo;

8 – a perda de apoio a Bolsonaro é muito grande por conta da demissão de Moro;

9 – um processo de afastamento de Bolsonaro – via impeachment ou renuncia forçada – ganha corpo, enquanto o vice-presidente, Mourão, se preserva da tempestade;

10 – teriam os militares do governo dado corda pra Bolsonaro se enforcar ?

11 – sem que precisassem abandonar Bolsonaro explicitamente (tirando do gabinete do ódio qualquer poder de reação mais efetivo para denunciar uma conspiração palaciana e fardada contra o presidente) será que pavimentaram a posse de Mourão pra que se consume um governo funcional na visão deles ?

É bem mais lógico general bater continência para outro general do que para um reles capitão indisciplinado.

Hierarquia militar pode estar sendo restabelecida.

Os generais deram um golpe no capitão

3 Comentários

  • Parabéns pelo artigo Allan! Estou aqui da Região dos Lagos sempre atento as suas publicações, que por sinal, são sempre muito autênticas e acertadas.

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  • A população tem que,está,atenta, a,esses que querem desestabilizar o governo Bolsonaro, por trás disso está o congresso Nacional, o senado Federal, as esquerdas comunistas, e o falso socialismo, uma cousa esse governo tem honestidade, valorização da família e o patriotismo nacional, Deus e o povo brasileiro de bem está torcendo para esse novo Brasil.

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