Geraldo Alckmin no Jornal Nacional: um passado pela frente

Geraldo Alckmin no Jornal Nacional, em entrevista em 29/08/2018

O eterno governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP) é o terceiro convidado da tradicional série de entrevistas com presidenciáveis, promovida pelo Jornal Nacional da Rede Globo. As duas primeiras foram com Ciro Gomes e Jair Bolsonaro. DISPARADA, por meio de seus colunistas, fará a análise de todos os entrevistados durante a semana.

A entrevista começou tensa. A jornalista Renata Vasconcellos tentou associar o nome do candidato ao do ex-presidente impichado, Fernando Collor de Mello. Ninguém entendeu muito bem o que ela queria com isso. Mostrou o pouco contato com a realpolitik quando afirmou que o PSDB nacional se coligava com o PTC do ex-presidente. O apoio era estadual e Alckmin explicou para a jornalista o beabá básico da política. Uma perda de tempo para o espectador. Um ímpeto pseudo-moralista de quem ganha com a antipolítica. Se Renata brilhou nas redes ontem, hoje apresentou um desempenho terrível, só superado por seu parceiro de bancada com seu carisma de cadáver.

O PSDB provou do próprio veneno nas perguntas que se seguiram. Bonner cobrou diversas vezes a coerência do partido, tão impetuoso nas denúncias durante os governos petistas e ao mesmo tempo leniente com as denúncias de seus correligionários. Alckmin não conseguiu responder. Não havia resposta. Aécio foi lembrado, Azeredo também, para um afoito Alckmin, que parecia fugir o tempo todo para sua zona de conforto: o estado de São Paulo, ou pelo menos a idealização que o governador tem do Estado que governava. Na corrupção, tentou argumentar que não tinha bandido de estimação e outras bravatas irrelevantes. Os entrevistadores pareciam insaciáveis, metralhando o político paulista com os escândalos do rodoanel, ilicitudes na DERSA, entre diversos outros. O PSDB finalmente caiu nas suas próprias contradições.

Curioso foi o momento em que, citando delações sob segredo de justiça, Alckmin afirmou que Bonner “era mais poderoso que ele”, já que tinha acesso aos documentos que o ex-governador não possuía. Vindo de Alckmin, cujo maior feito foi ter perdido uma eleição presidencial com mais votos no primeiro do que no segundo turno, podemos acreditar. Vindo de Bonner, preposto maior dos Marinho e cujo pouco caráter é de conhecimento público, também. Ambos se merecem!

Outro momento de destaque foi durante as perguntas relativas ao PCC, facção criminosa paulista. Alckmin citou os bons números de segurança do Estado, ignorando os entrevistadores, que a todo o momento interrompiam dizendo que tais números se ancoravam no crescimento da facção. Alckmin por alguns segundos pareceu que conseguiria fugir do tema. Até o momento em que foi questionado sobre a atuação do crime organizado dentro das cadeias de São Paulo. Alckmin disse que não havia. O momento foi deprimente. O semblante do governador espelhava a incredulidade de quem o assistia. Tentando consertar, colocou a culpa no governo federal e se embaralhou ainda mais. Foi seu pior momento na entrevista.

Alckmin terá um grande desafio pela frente. Faltando 39 dias para o pleito, terá que vencer a rejeição do PSDB e mostrar-se competitivo para a base que o apoia atualmente. Parte dela já flerta com o PT, decepcionada com a candidatura do tucano. Seu latifúndio televisivo começa nesta sexta-feira (31). Resta ao governador acreditar na “velha” política. Há, para ele, um grande passado pela frente.

 

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