GUSTAVO CASTAÑON: O Brasil derrete

Nas últimas horas tivemos uma surpreendente aceleração do processo de derretimento institucional do Brasil.

Governados por um presidente incendiário, que não deseja a unidade nacional nem sequer a estabilidade e provoca a radicalização o tempo todo, nos vemos diante de um cenário de catástrofe econômica e política rapidamente caminhando para uma dissolução social.

Nos últimos três dias, o miliciano mais procurado do Brasil, o criminoso Adriano da Nóbrega, condecorado por Flávio Bolsonaro e que tinha mãe e esposa lotadas em seu gabinete, foi executado na Bahia por policiais que deveriam garantir-lhe a vida, e o próprio Flávio divulgou ilegalmente imagens do que supostamente seria sua autopsia com sinais de tortura. Logo, as redes artificiais de fake news e robôs estavam acusando o PT de tentar arrancar uma declaração contra Flávio.

Como um batedor de carteira que rouba e grita “pega ladrão”, o próprio presidente acusou uma “queima de arquivo”, fingindo não saber que os únicos interessados em queimar esse arquivo no Brasil eram ele e seus familiares.

Enquanto isso, o Secretário de Segurança Institucional, General do Exército Brasileiro Augusto Heleno, que foi ajudante de ordens do General Sylvio Frota, líder da “linha-dura” do regime militar, mandava o Congresso Brasileiro se fuder. Sim, a expressão foi “foda-se” e é ela que será aqui publicada.

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Para tirar a atenção da execução e tortura do miliciano íntimo de sua família, Bolsonaro lançou-se a declarações indignas como é seu método. Dessa vez escolheu vilipendiar uma das melhores jornalistas do Brasil, Patrícia Campos Mello, reproduzindo a sórdida calúnia de seu “gabinete da maldade” de que ela teria oferecido favores sexuais pela matéria sobre seus crimes na eleição.

Muito provavelmente com coordenação federal, com vários representantes do governo articulados pelos estados, se começou um movimento nacional de sequestro do Estado com motins de Polícias Militares exigindo aumentos de 40%.

Foi na condição mais radicalizada desse motim, em Sobral, com toque de recolher ditado por milicianos armados e mascarados, que atentaram contra a vida de um Senador da República que tentava liberar a entrada num quartel dos policiais que queriam trabalhar.

Incentivado de cima, a rápida radicalização do país e dissolução dos papéis institucionais encontram o caldeirão de uma economia depauperada, destruída pela agenda neoliberal.

Ciente desse desastre e dos obstáculos ao prosseguimento de sua agenda falida para o país, Paulo Guedes, também anteontem, ameaçou pedir demissão do ministério antes de encarar o desastre econômico que virá esse ano.

Recebeu do presidente ao invés de um afago, um ultimato: seis meses para apresentar resultados.

Os resultados serão os mesmos.

Em um ano, Guedes pegou uma economia que vinha em ritmo de crescimento de 2% e a derrubou para 0,89%. O dólar continua batendo recordes diários chegando no momento em que escrevo a R$ 4,39, e derrete nossas reservas, trazendo de volta a inflação. O preço dos combustíveis chega a record histórico, e arma nova greve dos caminhoneiros que só não ocorreu até aqui pelo controle patronal que caracteriza esses movimentos.

O déficit público segue incontrolado com as políticas de austeridade que derrubam o investimento e a arrecadação, sem ajuste fiscal pelos mais ricos e com mascaramento por dinheiro de venda de patrimônio público. A dívida pública já chega a quase 76% do PIB. A balança comercial derrete, e em janeiro, já marcou resultado negativo, fruto crônico de nossa desindustrialização que começou com FHC. A balança de pagamentos atinge recordes negativos históricos.

Chegamos a um recorde de informalidade, com 41,1%, um contingente médio de 38,363 milhões de trabalhadores informais. Somado aos abertamente desempregados, pela primeira vez temos a maioria da população brasileira fora da formalidade. O desemprego, mesmo com todo subemprego e degradação do trabalho, continua na casa dos 12%. O investimento público é o menor da história. O endividamento das famílias, das empresas e do governo subiu, enquanto o lucro dos grandes bancos foi, também, o maior da história. É sem dúvidas um governo de recordes.

Enquanto isso, o governo de proteção aos ricos e à elite do funcionalismo público, promove a mais brutal concentração de renda já vista no país que já tem a pior concentração de renda do mundo. Promove a destruição da floresta amazônica, o envenenamento de nossa comida e a formação de grupos paramilitares de norte a sul do país, derretendo a autoridade das Forças Armadas.

Diante desse cenário de evidente caos, e honra seja feita, da queda dos juros, o capital estrangeiro começa a fugir do país: US$ 44,7 bilhões no ano passado, novamente, a maior fuga de capitais da história.

Este cenário exige de todos os democratas e patriotas para os quais a palavra não foi profanada, a tomada de atitude necessária para cobrar todos os crimes de responsabilidade que o presidente já cometeu no exercício do mandato.

Exige que cobremos do STF o julgamento dos crimes eleitorais cometidos por Bolsonaro que determinam a cassação de sua chapa.

Exige que cobremos de Sérgio Moro que se comporte como um Ministro da Justiça e não um como um colaborador de milicianos e imponha a lei e a ordem aos milicianos amotinados pelo Brasil, desvende a execução e tortura de Adriano da Nóbrega assim como as execuções de Anderson e Marielle sem mais delongas.

Exige que interrompamos a marcha do caos liderada pelo presidente, agora.

E isso não será feito com artigos como esse, mas com ação.

2 Comentários

  • Me parece que exigir de Moro apenas que se comporte como um Ministro da Justiça e imponha a lei e a ordem. é muito pouco!
    Ora, e o passado tá perdoado?
    E os abusos?
    E os crimes da Lava Jato?
    E a destruição do Brasil?
    E a “colaboração” com o deep state norte americano, merecendo um julgamento por possível crime de lesa pátria?

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  • […] Decidi voltar a utilizar esse blog. Inicialmente, com o intento de falar sobre vários projetos e ideias que estão por aí. Nesse tempo em que fiquei afastado do blog, ainda não me formei em ADS, mudei da Fatec Ipiranga para a Fatec São Caetano… e o país derreteu. […]

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