A história que absolve também condena

Por Thiago Manga – Uma nova história do campo progressista nacional pode ter tido a primeira frase escrita hoje, em São Paulo. A Frente Democrática lançada em apoio à candidatura de Guilherme Boulos (PSol) para a prefeitura da capital paulistana, que disputa o segundo turno das eleições com Bruno Covas (PSDB), deu esperança àqueles que sonham com uma Frente Ampla em 2022. Uma Frente que se oponha ao fascismo de Jair Bolsonaro e ao entreguismo neoliberal que além permear o próprio atual governo do Brasil, é a bandeira que guia o patrono de Covas, João Doria, que fará tudo que estiver ao seu alcance para chegar à presidência da República na próxima eleição. Ver PDT, PT, PSol, PC do B, Rede, PSB, PCB, em suma, ver todos os partidos do campo progressista na mesma mesa, de mãos dadas, é um marco histórico, independente do que aconteça no futuro que a Deus e ao povo brasileiro pertencem.

Trabalhismo, Boulos, PDT, frente contra o entreguismo

O PDT-SP da Capital apanhou bastante no primeiro turno da disputa. Fomos acusados de todos os nomes possíveis por muitos dos que hoje nos cumprimentaram, alguns até um tanto envergonhados. A candidatura de Antonio Neto (PDT) e Márcio França (PSB) foi tratada como inimiga quando éramos apenas adversários e embora tenham nos negado isso, sim, nós somos do campo da Esquerda. Mas a nossa posição oficial deixa claro: não há tempo para mágoas e vaidades político-partidárias quando o que está em jogo é a cidade e o país. Quando o que está em jogo é afastar a fome do prato do povo trabalhador, e derrotar uma ideologia tanto destrutiva quanto irresponsável. Em nome disso, deixamos claro: estaremos juntos.

O gesto de grandeza política liderado por Ciro Gomes e Carlos Lupi e confirmado com altivez por Antonio Neto reafirma o que as urnas deixaram claro pelo Brasil inteiro: o trabalhismo de Getúlio Vargas e de Leonel Brizola, estrelas que nos guiam, está mais vivo do que nunca. O PDT reassume um protagonismo que após a morte de Brizola, havia escapado pelos dedos e que Lupi foi incansável em reconstruir. Tu conseguiste, companheiro. A posição está marcada. A militância está orgulhosa. As cidades confirmaram. O país grita.

Agora, o que sobra é trabalho, muito trabalho pela frente. Não faltará dedicação e lealdade a quem nos olha nos olhos e nos deposita confiança de fazer parte do processo político rumo às eleições de 2022, possivelmente as mais importantes da história do Brasil. Pessoalmente, sou apenas mais um jovem brasileiro que não desiste de sonhar com justiça social e com um país digno de seus filhos e filhas. E sonhar esse sonho vale a pena. Que o façamos com os pés no chão e os olhos bem abertos.

E dos nossos irmãos do campo da Esquerda, não esperamos nada diferente quando o destino do país e de 200 milhões de brasileiros e brasileiras estiver em disputa nas ruas e nas urnas.

Por Thiago Manga, jornalista e militante trabalhista

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