GUSTAVO CASTAÑON: Huck e sua ‘guinada à direita’

Por Gustavo Castañon – Vejam como há uma estratégia sólida, massiva, da mídia em definir esquerda e direita como posições acerca de costumes. Leio uma manchete de que Huck estaria sendo aconselhado por aliados a dar uma “guinada à direita”. Abri a matéria curioso, já que seu discurso econômico já é de direita: liberalização da economia, Estado não pode investir ou emitir crédito, fiscalismo, privatizações. Iria ele defender o fim da educação e saúde públicas também, indo para a extrema-direita?

Não. Estava sendo aconselhado a mudar de posição sobre legalização das drogas e aborto. O que em nome de Deus tem essas coisas a ver com ser de esquerda ou direita?

Isso está com o tempo se tornando entranhado na sociedade. Levou muito tempo para eu entender como um psicótico, por mais psicótico que fosse, podia dizer que a Globo era “esquerdopata” ou “comunista”. Até entender que era porque mostra dois homens se beijando em novela. Eles conseguiram, e com ajuda da esquerda.

Outro dia li vários posts imbecis dizendo que eu era conservador. Sou conservador porque, porque acredito em Deus? Em que lugar do mundo alguém que defende casamento homoafetivo, direito da mulher a decidir sobre o aborto ou ensino laico é “conservador”?

Eu digo. É em todo lugar do mundo onde a esquerda pós-moderna (se é que isso é esquerda) foi por anos maciçamente financiada por órgãos como a Open Society e a Fundação Ford e agraciada com espaço infinito na mídia. E o que é “esquerda” pós-modena? É aquela “esquerda” que não acredita mais em “metanarrativas”, acha utopia uma coisa autoritária, não fala mais da exploração ou desigualdade econômica, só quer reformar a linguagem e a “representatividade” de alguns grupos na sociedade e não reformar a realidade econômica, portanto passa o tempo todo atirando para dentro de suas trincheiras contra os novos opressores: aqueles que não falam como eles querem.

Essa esquerda não vê mais a família Marinho como opressora, mas sim o homem branco pobre evangélico que não gostou de ver dois homens se beijando na novela.

Essa é a esquerda que a direita gosta.

Por: Gustavo Castañon.

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